Manuel de Melo Duarte Alegre

Portugal
n. 12 Mai 1936
Escritor/Político

12 Poemas



As Sete Penas do Amor Errante (1)

Eu não sei se os teus olhos se gaivotas/ mas era o mar e a Índia já perdida/ as ilhas e o azul o longe e as rotas/ minha vida em pedaços repartida./ / Eu não sei se o teu rosto se um navio/ mas era o...

Teoria do Amor (2)

Amor é mais do que dizer./ Por amor no teu corpo fui além/ e vi florir a rosa em todo o ser/ fui anjo e bicho e todos e ninguém./ / Como Bernard de Ventadour amei/ uma princesa ausente em Tripoli/ am...

As Facas (3)

Quatro letras nos matam quatro facas/ que no corpo me gravam o teu nome./ Quatro facas amor com que me matas/ sem que eu mate esta sede e esta fome./ / Este amor é de guerra. (De arma branca)./ Amand...

Portugal (4)

O teu destino é nunca haver chegada/ O teu destino é outra índia e outro mar/ E a nova nau lusíada apontada/ A um país que só há no verbo achar/ / Manuel Alegre, in Chegar Aqui ...

Balada de Lisboa (5)

Em cada esquina te vais/ Em cada esquina te vejo/ Esta é a cidade que tem/ Teu nome escrito no cais/ A cidade onde desenho/ Teu rosto com sol e Tejo/ / Caravelas te levaram/ Caravelas te perderam/ Es...

Trova do Vento que Passa (6)

Para António Portugal/ / Pergunto ao vento que passa/ notícias do meu país/ e o vento cala a desgraça/ o vento nada me diz./ / Pergunto aos rios que levam/ tanto sonho à flor das águas/ e os rios não...

Agora Mesmo (7)

Está gente a morrer agora mesmo em qualquer lado/ Está gente a morrer e nós também/ / Está gente a despedir-se sem saber que para/ Sempre/ Este som já passou Este gesto também/ Ninguém se banha duas ...

Balada do Poema que não Há (8)

Quero escrever um poema/ Um poema não sei de quê/ Que venha todo vermelho/ Que venha todo de negro/ Às de copas às de espadas/ Quero escrever um poema/ Como de sortes cruzadas/ / Quero escrever um po...

Da Tua Vida (9)

Da tua vida o que não podem entender/ Nem oiro nem poder nem segurança/ Mas a paixão do Tempo e de seus riscos/ Tu buscaste o instante e a intensidade/ E foste do combate e da mudança/ Por isso um ra...

Coração Polar (10)

Não sei de que cor são os navios/ quando naufragam no meio dos teus braços/ sei que há um corpo nunca encontrado algures/ e que esse corpo vivo é o teu corpo imaterial/ a tua promessa nos mastros de ...

O Cavaleiro (11)

Talvez o espere ainda a Incomeçada/ aquela que louvámos uma noite/ quando o abril rompeu em nossas veias./ Talvez o espere a avó o pai amigos/ e a mãe que disfarça às vezes uma lágrima./ Talvez o pró...

Sextina (12)

Tanto de amor se disse que não sei/ Como dizer que amor é outra coisa/ Que nem só o teu corpo me fez rei/ Nem tua alma só me deu a rosa/ Tanto se disse menos o dizer/ Esta paixão que é de todo o ser/...


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