Manuel Lopes Fonseca

Portugal
12 Out 1911 // 11 Mar 1993
Escritor/Poeta/Cronista

13 Poemas



Antes que Seja Tarde (1)

Amigo,/ tu que choras uma angústia qualquer/ e falas de coisas mansas como o luar/ e paradas/ como as águas de um lago adormecido,/ acorda!/ Deixa de vez/ as margens do regato solitário/ onde te mira...

Tu e Eu Meu Amor (2)

Tu e eu meu amor/ meu amor eu e tu/ que o amor meu amor/ é o nu contra o nu./ / Nua a mão que segura/ outra mão que lhe é dada/ nua a suave ternura/ na face apaixonada/ nua a estrela mais pura/ nos o...

Noite de Sonhos Voada (3)

Noite de sonhos voada/ cingida por músculos de aço,/ profunda distância rouca/ da palavra estrangulada/ pela boca armodaçada/ noutra boca,/ ondas do ondear revolto/ das ondas do corpo dela/ tão domin...

Menino (4)

No colo da mãe/ a criança vai e vem/ vem e vai/ balança./ Nos olhos do pai/ nos olhos da mãe/ vem e vai/ vai e vem/ a esperança./ / Ao sonhado/ futuro/ sorri a mãe/ sorri o pai./ Maravilhado/ o rosto...

Dona Abastança (5)

«A caridade é amor»/ Proclama dona Abastança/ Esposa do comendador/ Senhor da alta finança./ / Família necessitada/ A boa senhora acode/ Pouco a uns a outros nada/ «Dar a todos não se pode.»/ / Já se...

Ansiedade (6)

Quero compor um poema/ onde fremente/ cante a vida/ das florestas das águas e dos ventos./ / Que o meu canto seja/ no meio do temporal/ uma chicotada de vento/ que estremeça as estrelas/ desfaça mito...

Vida (7)

Vida:/ sensualíssima mulher de carnes maravilhosas/ cujos passos são horas/ cadenciadas/ rítmicas/ fatais./ A cada movimento do teu corpo/ dispersam asas de desejos/ que me roçam a pele/ e encrespam ...

As Balas (8)

Dá o Outono as uvas e o vinho/ Dos olivais o azeite nos é dado/ Dá a cama e a mesa o verde pinho/ As balas dão o sangue derramado/ / Dá a chuva o Inverno criador/ As sementes da sulcos o arado/ No la...

Solidão (9)

Que venham todos os pobres da Terra/ os ofendidos e humilhados/ os torturados/ os loucos:/ meu abraço é cada vez mais largo/ envolve-os a todos!/ / Ó minha vontade, ó meu desejo/ — os pobres e os hum...

Adormecer (10)

Vai vida na madrugada fria./ / O teu amante fica,/ na posse deste momento que foi teu,/ amorfo e sem limites como um anjo;/ a cabeça cheia de estrelas.../ Fica abraçado a esta poeira que teu pé levan...

Romance do Terceiro-Oficial de Finanças (11)

Ah! as coisas incríveis que eu te contava/ assim misturadas com luas e estrelas/ e a voz vagarosa como o andar da noite!/ / As coisas incríveis que eu te contava/ e me deixavam hirto de surpresa/ na ...

Poemas da Infância (12)

Segundo/ / Quando foi que demorei os olhos/ sobre os seios nascendo debaixo das blusas,/ das raparigas que vinham, à tarde, brincar comigo?.../ ... Como nasci poeta/ devia ter sido muito antes que as...

Tragédia (13)

Foi para a escola e aprendeu a ler/ e as quatro operações, de cor e salteado./ Era um menino triste:/ nunca brincou no largo./ Depois, foi para a loja e pôs a uso/ aquilo que aprendeu/ — vagaroso e s...


Facebook

© Copyright 2003-2017 Citador - Todos os direitos reservados | SOBRE O SITE