Mário Beirão

Portugal
1 Mai 1890 // 1965


6 Poemas



Teus Olhos (1)

Teus olhos de tão mística elegia,/ resplandecentes de penumbra viva,/ Perdem-se em mim: do meu olhar deriva/ A luz da mais cristã melancolia!/ / Possa eu viver em ti, nessa harmonia/ De memorante paz...

Aleluia (2)

Se cantas, nasce o dia;/ A luz segreda à flor: Ave, Maria!/ / Tudo é silêncio, espanto,/ Quando vaga no Azul o teu encanto.../ / Passas e deixas no ar/ O perfume das rosas de toucar!/ / Creio em ti, ...

Amor (3)

Quando é noite, e, na voz da Imensidade,/ Um alto sonho em lágrimas crepita,/ Tua graça de morte me visita,/ Teu olhar é um sorriso de saudade.../ / E a tua Ausência intimamente invade/ Meu coração q...

Enlevo (4)

Porque esse olhar de sombra de temor/ Se perde em mim, às horas do sol posto,/ Quando é de âmbar translúcido o teu rosto,/ E a tua alma desmaia como flor;/ / Porque essas mãos, ardidas de fervor,/ Am...

Ausência (5)

Nas horas do poente,/ Os bronzes sonolentos,/ - pastores das ascéticas planuras –/ Lançam este pregão ao soluçar dos ventos,/ À nuvem erradia,/ Às penhas duras:/ - Que é dele, o eterno Ausente,/ - Ca...

Anjo (6)

Quando a fitar-te ainda o sol declina/ E a cor dos teus cabelos no Ar flutua,/ A tua alma na minha se insinua,/ Teu vulto é prece alando-se, divina!/ / A nossa voz, esparsa em luz, fascina;/ A nossa ...


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