Mário Quintana

Brasil
30 Jul 1906 // 5 Mai 1994
Poeta/Cronista

14 Poemas



As Mãos do Meu Pai (1)

As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis/ sobre um fundo de manchas já cor de terra/ — como são belas as tuas mãos —/ pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram/ na nobre cólera dos justos....

O Mapa (2)

Olho o mapa da cidade/ Como quem examinasse/ A anatomia de um corpo.../ / (É nem que fosse o meu corpo!)/ / Sinto uma dor infinita/ Das ruas de Porto Alegre/ Onde jamais passarei.../ / Há tanta esqui...

Se tu me Amas (3)

Se tu me amas, ama-me baixinho/ Não o grites de cima dos telhados/ Deixa em paz os passarinhos/ Deixa em paz a mim!/ Se me queres,/ enfim,/ tem de ser bem devagarinho, Amada,/ que a vida é breve, e o...

O Auto-Retrato (4)

No retrato que me faço/ - traço a traço -/ às vezes me pinto nuvem,/ às vezes me pinto árvore.../ / às vezes me pinto coisas/ de que nem há mais lembrança.../ ou coisas que não existem/ mas que um d...

Eu Escrevi um Poema Triste (5)

Eu escrevi um poema triste/ E belo, apenas da sua tristeza./ Não vem de ti essa tristeza/ Mas das mudanças do Tempo,/ Que ora nos traz esperanças/ Ora nos dá incerteza.../ Nem importa, ao velho Tempo...

Os Poemas (6)

Os poemas são pássaros que chegam/ não se sabe de onde e pousam/ no livro que lês./ Quando fechas o livro, eles alçam vôo/ como de um alçapão./ Eles não têm pouso/ nem porto/ alimentam-se um instante...

Ah! Os Relógios (7)

Amigos, não consultem os relógios/ quando um dia eu me for de vossas vidas/ em seus fúteis problemas tão perdidas/ que até parecem mais uns necrológios.../ / Porque o tempo é uma invenção da morte:/ ...

A Canção da Vida (8)

A vida é louca/ a vida é uma sarabanda/ é um corrupio.../ A vida múltipla dá-se as mãos como um bando/ de raparigas em flor/ e está cantando/ em torno a ti:/ Como eu sou bela/ amor!/ Entra em mim, co...

Do Amoroso Esquecimento (9)

Eu, agora - que desfecho!/ Já nem penso mais em ti.../ Mas será que nunca deixo/ De lembrar que te esqueci?/ / / / Mário Quintana, in 'Espelho Mágico'...

Da Discrição (10)

Não te abras com teu amigo/ Que ele um outro amigo tem./ E o amigo do teu amigo/ Possui amigos também.../ / / / Mário Quintana, in 'Espelho Mágico'...

Obsessão do Mar Oceano (11)

Vou andando feliz pelas ruas sem nome.../ Que vento bom sopra do Mar Oceano!/ Meu amor eu nem sei como se chama,/ Nem sei se é muito longe o Mar Oceano.../ Mas há vasos cobertos de conchinhas/ Sobre ...

Da Observação (12)

Não te irrites, por mais que te fizerem.../ Estuda, a frio, o coração alheio./ Farás, assim, do mal que eles te querem,/ Teu mais amável e sutil recreio.../ / / Mário Quintana, in 'Espelho Mágico'...

Poeminha Sentimental (13)

O meu amor, o meu amor, Maria/ É como um fio telegráfico da estrada/ Aonde vêm pousar as andorinhas.../ De vez em quando chega uma/ E canta/ (Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)/ Canta e vai...

Dos Mundos (14)

Deus criou este mundo. O homem, todavia,/ Entrou a desconfiar, cogitabundo.../ Decerto não gostou lá muito do que via.../ E foi logo inventando o outro mundo./ / / / Mário Quintana, in 'Espelho Má...


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