Miguel Torga

Portugal
12 Ago 1907 // 17 Jan 1995
Escritor/Poeta

49 Poemas

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Pedido (31)

Ama-me sempre, como à flor do lírio/ Bravo e sózinho, a quem a gente quer/ Mesmo já seco na recordação./ Ama-me sempre, cheia da certeza/ De que, lírio que sou da natureza,/ Na minha altura eu brotar...

Requiem por Mim (32)

Aproxima-se o fim./ E tenho pena de acabar assim,/ Em vez de natureza consumada,/ Ruína humana./ Inválido do corpo/ E tolhido da alma./ Morto em todos os órgãos e sentidos./ Longo foi o caminho e des...

Cântico de Humanidade (33)

Hinos aos deuses, não./ Os homens é que merecem/ Que se lhes cante a virtude./ Bichos que lavram no chão,/ Actuam como parecem,/ Sem um disfarce que os mude./ / Apenas se os deuses querem/ Ser homens...

Princípio (34)

Não tenho deuses. Vivo/ Desamparado./ Sonhei deuses outrora,/ Mas acordei./ Agora/ Os acúleos são versos,/ E tacteiam apenas/ A ilusão de um suporte./ Mas a inércia da morte,/ O descanso da vide na r...

Certeza (35)

Não:/ Nunca saberás quem sou./ Apesar destes beijos que te dou/ E destas ironias que te digo,/ Vou contigo/ Como vou/ Ao lado dum inimigo./ / Miguel Torga, in 'Diário (1936)'...

Fraternidade (36)

Não me dói nada meu particular./ Peno cilícios da comunidade./ Água dum rio doce, entrei no mar/ E salguei-me no sal da imensidade./ / Dei o sossego às ondas/ Da multidão./ E agora tenho chagas/ No c...

Exercício Espiritual (37)

Ouço-os de todo o lado./ Eu é que sou assim./ Eu é que sou assado,/ Eu é que sou o anjo revoltado,/ Eu é que não tenho santidade.../ / Quando, afinal, ninguém/ Põe nos ombros a capa da humildade,/ E ...

Pacto (38)

Juro e assino a jura:/ O nosso amor há-de florir/ À tona da mais funda sepultura/ Que a vida nos abrir./ / Miguel Torga, in 'Diário (1944)'...

O Poeta (39)

Triste, lá vai à ronda dos segredos/ O maluco que rouba quanto vê./ Branco, do coração aos dedos,/ É todo antenas onde apenas lê./ / Murcha-lhe nos pés o rosmaninho/ E a própria rosa, de o sentir, de...

Aceno (40)

Longe,/ Seu coração bate por mim;/ E a sua mão desenha aquele afago/ Que me sossega inteiro.../ / Longe,/ A verdade serena do seu rosto/ É que faz este dia verdadeiro.../ / Miguel Torga, in 'Diári...
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