Olavo Bilac

Brasil
1865 // 1918
Poeta/Jornalista

34 Poemas

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Velhas Árvores (1)

Olha estas velhas árvores, mais belas/ Do que as árvores novas, mais amigas:/ Tanto mais belas quanto mais antigas,/ Vencedoras da idade e das procelas.../ / O homem, a fera, e o inseto, à sombra del...

Maldição (2)

Se por vinte anos, nesta furna escura,/ Deixei dormir a minha maldição,/ - Hoje, velha e cansada da amargura,/ Minh'alma se abrirá como um vulcão./ / E, em torrentes de cólera e loucura,/ Sobre a tua...

Um Beijo (3)

Foste o beijo melhor da minha vida,/ ou talvez o pior...Glória e tormento,/ contigo à luz subi do firmamento,/ contigo fui pela infernal descida!/ Morreste, e o meu desejo não te olvida:/ queimas-me ...

Em uma Tarde de Outono (4)

Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas/ Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto./ Outono... Rodopiando, as folhas amarelas/ Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto.../ / Por que, be...

Língua Portuguesa (5)

Última flor do Lácio, inculta e bela,/ És, a um tempo, esplendor e sepultura:/ Ouro nativo, que na ganga impura/ A bruta mina entre os cascalhos vela/ Amo-se assim, desconhecida e obscura/ Tuba de al...

Não és Bom, nem és Mau (6)

Não és bom, nem és mau: és triste e humano.../ Vives ansiando, em maldições e preces,/ Como se a arder no coração tivesses/ O tumulto e o clamor de um largo oceano./ Pobre, no bem como no mal padeces...

Sonho (7)

Quantas vezes, em sonho, as asas da saudade/ Solto para onde estás, e fico de ti perto!/ Como, depois do sonho, é triste a realidade!/ Como tudo, sem ti, fica depois deserto!/ / Sonho... Minha alma v...

A Alvorada do Amor (8)

Um horror grande e mudo, um silêncio profundo/ No dia do Pecado amortalhava o mundo./ E Adão, vendo fechar-se a porta do Éden, vendo/ Que Eva olhava o deserto e hesitava tremendo,/ Disse:/ / Chega-t...

Baladas Românticas - Verde... (9)

Como era verde este caminho!/ Que calmo o céu! que verde o mar!/ E, entre festões, de ninho em ninho,/ A Primavera a gorjear!.../ Inda me exalta, como um vinho,/ Esta fatal recordação!/ Secou a flor,...

A Voz do Amor (10)

Nessa pupila rútila e molhada,/ Refúgio arcano e sacro da Ternura,/ A ampla noite do gozo e da loucura/ Se desenrola, quente e embalsamada./ / E quando a ansiosa vista desvairada/ Embebo às vezes nes...

Mater (11)

Tu, grande Mãe!... do amor de teus filhos escrava,/ Para teus filhos és, no caminho da vida,/ Como a faixa de luz que o povo hebreu guiava/ À longe Terra Prometida./ / Jorra de teu olhar um rio lumin...

Velha Página (12)

Chove. Que mágoa lá fora!/ Que mágoa! Embruscam-se os ares/ Sobre este rio que chora/ Velhos e eternos pesares./ / E sinto o que a terra sente/ E a tristeza que diviso,/ Eu, de teus olhos ausente,/ A...

Requiescat (13)

Por que me vens, com o mesmo riso,/ Por que me vens, com a mesma voz,/ Lembrar aquele Paraíso,/ Extinto para nós?/ / Por que levantas esta lousa?/ Por que, entre as sombras funerais,/ Vens acordar o ...

Primavera (14)

Ah! quem nos dera que isto, como outrora,/ Inda nos comovesse! Ah! quem nos dera/ Que inda juntos pudéssemos agora/ Ver o desabrochar da primavera!/ / Saíamos com os pássaros e a aurora./ E, no chão,...

Surdina (15)

No ar sossegado um sino canta,/ Um sino canta no ar sombrio.../ Pálida, Vênus se levanta.../ Que frio!/ / Um sino canta. O campanário/ Longe, entre névoas, aparece.../ Sino, que cantas solitário,/ Qu...

Tédio (16)

Sobre minh'alma, como sobre um trono,/ Senhor brutal, pesa o aborrecimento./ Como tardas em vir, último outono,/ Lançar-me as folhas últimas ao vento!/ / Oh! dormir no silêncio e no abandono,/ Só, se...

 (17)

Este, que um deus cruel arremessou à vida,/ Marcando-o com o sinal da sua maldição,/ - Este desabrochou como a erva má, nascida/ Apenas para aos pés ser calcada no chão./ / De motejo em motejo arrast...

Inania Verba (18)

Ah! quem há de exprimir, alma impotente e escrava,/ O que a boca não diz, o que a mão não escreve?/ - Ardes, sangras, pregada a' tua cruz, e, em breve,/ Olhas, desfeito em lodo, o que te deslumbrava....

Incontentado (19)

Paixão sem grita, amor sem agonia,/ Que não oprime nem magoa o peito,/ Que nada mais do que possui queria,/ E com tão pouco vive satisfeito./ / Amor, que os exageros repudia,/ Misturado de estima e d...

Vanitas (20)

Cego, em febre a cabeça, a mão nervosa e fria,/ Trabalha. A alma lhe sai da pena, alucinada,/ E enche-lhe, a palpitar, a estrofe iluminada/ De gritos de triunfo e gritos de agonia./ / Prende a idéia ...
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