Olavo Bilac

Brasil
16 Dez 1865 // 28 Dez 1918
Poeta/Jornalista

34 Poemas

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Vita Nuova (21)

Se ao mesmo gozo antigo me convidas,/ Com esses mesmos olhos abrasados,/ Mata a recordação das horas idas,/ Das horas que vivemos apartados!/ / Não me fales das lágrimas perdidas,/ Não me fales dos b...

Dormindo (22)

De qual de vós desceu para o exílio do mundo/ A alma desta mulher, astros do céu profundo?/ Dorme talvez agora... Alvíssimas, serenas,/ Cruzam-se numa prece as suas mãos pequenas./ Para a respiração ...

Pecador (23)

Este é o altivo pecador sereno,/ Que os soluços afoga na garganta,/ E, calmamente, o copo de veneno/ Aos lábios frios sem tremer levanta./ / Tonto, no escuro pantanal terreno/ Rolou. E, ao cabo de to...

Baladas Românticas - Negra... (24)

Possas chorar, arrependida,/ Vendo a saudade que aqui vai!/ Vê que inda, negro, da ferida/ Aos borbotões o sangue cai.../ Que a nossa história, assim relida,/ O nosso amor, lembrado assim,/ Possam fa...

Desterro (25)

Já me não amas? Basta! Irei, triste, e exilado/ Do meu primeiro amor para outro amor, sozinho./ Adeus, carne cheirosa! Adeus, primeiro ninho/ Do meu delírio! Adeus, belo corpo adorado!/ / Em ti, como...

Criação (26)

Há no amor um momento de grandeza,/ que é de inconsciência e de êxtase bendito:/ os dois corpos são toda a Natureza,/ as duas almas são todo o Infinito./ É um mistério de força e de surpresa!/ Estala...

A um Poeta (27)

Longe do estéril turbilhão da rua,/ Beneditino, escreve! No aconchego/ Do claustro, na paciência e no sossego,/ Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!/ Mas que na forma de disfarce o emprego/ Do ...

Por Estas Noites (28)

Por estas noites frias e brumosas/ É que melhor se pode amar, querida!/ Nem uma estrela pálida, perdida/ Entre a névoa, abre as pálpebras medrosas/ Mas um perfume cálido de rosas/ Corre a face da ter...

Baladas Românticas - Branca... (29)

Vi-te pequena: ias rezando/ Para a primeira comunhão:/ Toda de branco, murmurando,/ Na fronte o véu, rosas na mão./ Não ias só: grande era o bando.../ Mas entre todas te escolhi:/ Minh'alma foi te ac...

Última Página (30)

Primavera. Um sorriso aberto em tudo. Os ramos/ Numa palpitação de flores e de ninhos./ Doirava o sol de outubro a areia dos caminhos/ (Lembras-te, Rosa?) e ao sol de outubro nos amamos./ Verão. (Lem...

A um Poeta Morto (31)

Quando a primeira vez a harmonia secreta/ De uma lira acordou, gemendo, a terra inteira,/ - Dentro do coração do primeiro poeta/ Desabrochou a flor da lágrima primeira./ / E o poeta sentiu os olhos r...

Baladas Românticas - Azul... (32)

Lembra-te bem! Azul-celeste/ Era essa alcova em que te amei./ O último beijo que me deste/ Foi nessa alcova que o tomei!/ É o firmamento que a reveste/ Toda de um cálido fulgor:/ - Um firmamento, em ...

Rei Destronado (33)

O teu lugar vazão!... E esteve cheio,/ Cheio de mocidade e de ternura!/ Como brilhava a tua formosura!/ Que luz divina te doirava o seio!/ / Quando a camisa tépida despias,/ - Sob o reflexo do cabelo...

Sacrilégio (34)

Como a alma pura, que teu corpo encerra,/ Podes, tão bela e sensual, conter?/ Pura demais para viver na terra,/ Bela demais para no céu viver./ / Amo-te assim! - exulta, meu desejo!/ É teu grande ide...
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