Pedro Homem de Mello

Portugal
6 Set 1904 // 5 Mar 1984
Poeta/Professor/Folclorista

31 Poemas

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Fuga (21)

O músico procura/ Fixar em cada verso/ O cântico disperso/ Na luz, na água e no vento./ / Porém, luz, vento e água/ Variam riso e mágoa,/ De momento a momento./ / E em vão a área dos dedos/ Se eleva!...

Inocência (22)

De um lado, a veste; o corpo, do outro lado,/ Límpido, nu, intacto, sem defesa.../ Mitológico rosto debruçado/ Na noite que, por ele, fica acesa!/ / Se traz os lábios húmidos e lassos/ É que a paixão...

Os Amigos Infelizes (23)

Andamos nus, apenas revestidos/ Da música inocente dos sentidos./ / Como nuvens ou pássaros passamos/ Entre o arvoredo, sem tocar nos ramos./ / No entanto, em nós, o canto é quase mudo./ Nada pedimos...

Ironia (24)

De tanto pensar na morte/ Mais de cem vezes morri./ De tanto chamar a sorte/ A sorte chamou-me a si./ / Deu-me frutos duradoiros/ A paz, a fortuna, o amor./ As musas vieram pôr/ Na minha fronte os se...

Fonte (25)

Meu amor diz-me o teu nome/ — Nome que desaprendi.../ Diz-me apenas o teu nome./ Nada mais quero de ti./ Diz-me apenas se em teus olhos/ Minhas lágrimas não vi,/ Se era noite nos teus olhos,/ Só por ...

Eternidade (26)

A minha eternidade neste mundo/ Sejam vinte anos só, depois da morte!/ O vento, eles passados, que, enfim, corte/ A flor que no jardim plantei tão fundo./ / As minhas cartas leia-as quem quiser!/ Tor...

Dinheiro (27)

Quem quiser ter filhos que doire primeiro/ A jarra onde, inteira, caiba alguma flor!/ Ai dos que têm filhos, mas não têm herdeiro!/ — Dinheiro! Dinheiro!/ Ó canção de Amor!/ / As noivas sorriem, talv...

Aliança (28)

Por tudo quanto sei, mas não sabia,/ (Feliz de quem um dia ainda o souber!)/ Por essa estrela branca em noite fria!/ Anunciação, talvez, de poesia.../ Por ti, minha mulher!/ / Por esse homem que sou,...

Presságio (29)

Ela há-de vir como um punhal silente/ Cravar-se para sempre no meu peito./ Podem os deuses rir na hora presente/ Que ela há-de vir como um punhal direito./ Cubram-me lutos, sordidez e chagas!/ Também...

Escárnio (30)

O meu amor anda em fama./ Mesmo assim lhe quero bem./ Cegueira? Seja o que for!/ Os olhos do meu amor/ Não os vejo em mais ninguém./ / Tentaram deitá-lo à rua,/ Mas abri-lhe a minha porta,/ E a minha...

Confissão (31)

Meus lábios, meus olhos (a flor e o veludo...)/ Minha ideia turva, minha voz sonora,/ Meu corpo vestido, meu sonho desnudo.../ Senhor confessor! Sabeis tudo — tudo!/ Quanto o vulgo, ingénuo, ao sauda...
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