Saúl Dias
(Júlio Maria dos Reis Pereira)

Portugal
1902 // 1983
Poeta

18 Poemas



Já Foste Rico e Forte e Soberano (1)

Já foste rico e forte e soberano,/ Já deste leis a mundos e nações,/ Heróico Portugal, que o gram Camões/ Cantou, como o não pôde um ser humano!/ / Zombando do furor do mar insano,/ Os teus nautas, e...

Sofro de não te Ver (2)

Sofro/ de não te ver,/ de perder/ os teus gestos/ leves, lestos,/ a tua fala/ que o sorriso embala,/ a tua alma/ límpida, tão calma.../ / Sofro/ de te perder,/ durante dias que parecem meses,/ durant...

Envelhecer (3)

É bom envelhecer!/ / Sentir cair o tempo,/ magro fio de areia,/ numa ampulheta inexistente!/ / Passam casais jovens/ abraçados!.../ / As árvores/ balançam novos ramos!.../ / E o fio de areia/ a cair,...

Nunca Envelhecerás (4)

A tua cabeleira/ é já grisalha ou mesmo branca?/ Para mim é toda loira/ e circundada de estrelas./ Sobre ela/ o tempo não poisou/ o inverno dos anos/ que se escoam maldosos/ insinuando rugas, fios br...

Todos os Dias (5)

Todos os dias/ nascem pequeninas nuvens,/ róseas umas,/ aniladas outras,/ nacaradas espumas.../ / Todos os dias/ nascem rosas,/ também róseas/ ou cor de chá, de veludo.../ / Todos os dias/ nascem vio...

A Minha Hora (6)

Que horas são? O meu relógio está parado,/ Há quanto tempo!.../ Que pena o meu relógio estar parado/ E eu não poder marcar esta hora extraordinária!/ Hora em que o sonho ascende, lento, muito lento,/...

Música (7)

A doce, iriada melodia,/ roxa sombra na tarde escarlate,/ chorosa, ouço-a; bate/ e verte quentura na minha alma fria./ / Quantos anos galgaram lépidos,/ furtivos, maldosos, sobre a minha cabeça!/ E n...

O Silêncio (8)

Peço apenas o teu silêncio,/ como uma criança pede uma flor/ ou um velho pedinte um bocado de pão./ Um silêncio/ onde a tua alma se embrulha, friorenta,/ trémula, à aproximação das invernias./ Um sil...

Eu não Quero Esquecer os Dias que Viveram (9)

Eu não quero esquecer os dias que viveram./ Por eles escrevi estes versos mofinos;/ escrevi-os à tarde ouvindo rir meninos,/ meninos loiro-sóis que bem cedo morreram./ / Eu não quero esquecer os dias...

Ali (10)

Ali sofreste. Ali amaste./ Ali é a pedra do teu lar./ Ali é o teu, bem teu lugar./ Ali a praça onde jogaste/ o que o destino te quis dar./ / Ali ficou tua pegada/ impressa, firme, sobre o chão./ Ning...

Interrogação (11)

Sim, preferi deixar-te,/ abandonando/ a dádiva de encontrar-te./ / Quem eras afinal?/ Qual a estrela que te guiava?/ Qual a cor dos teus dias?/ Qual o segredo que em ti eu tentei desvendar?/ / Abando...

Amei-te (12)

Amei-te/ porque o teu olhar numa tarde se encheu de lágrimas,/ e falaste em morrer, e tremeste de medo./ / Contudo/ não eras mais que uma flor corruta,/ dessas que a vida enleia e usa/ e depois atira...

Um Poema (13)

Um poema/ é a reza dum rosário/ imaginário./ Um esquema/ dorido./ Um teorema/ que se contradiz./ Uma súplica./ Uma esmola./ / Dores,/ vividas umas, sonhadas outras.../ (Inútil destrinçar.)/ / Um poem...

Para Todo o Sempre (14)

O Poeta morre,/ mas não cessa de escrever./ / Enquanto escreve,/ vive/ ressuscitando fugidias horas/ mudadas em auroras.../ / Uma pequenina flor,/ pisada por quem passa,/ é agora/ um milagre de cor,/...

Amo-te Tanto (15)

Amo-te tanto/ nem sei porquê!/ Que importa o quê/ do meu espanto?/ / Que importa o riso/ que me concedes?/ Que me embebedes!/ Que paraíso!/ / Indiferente/ quero-te assim./ - Sê bem de mim,/ de toda a...

Nua (16)

I/ / Nua/ como Eva./ A cabeleira/ beija-lhe o rosto oval e flutua;/ o corpo/ é água de torrente.../ / Eva adolescente,/ com reflexos de lua/ e tons de aurora...!/ / Roseira que enflora...!/ / Desflor...

Sangue (17)

Versos/ escrevem-se/ depois de ter sofrido./ O coração/ dita-os apressadamente./ E a mão tremente/ quer fixar no papel os sons dispersos.../ / É só com sangue que se escrevem versos./ / Saúl Dias,...

Poeta (18)

- Poeta errante,/ de olhar vago e distante/ e azul,/ o teu perfil singular/ recorta-se angular/ ao norte e ao sul./ / - Os teus fatos coçados/ bate-os o vento/ e leva-os aos bocados.../ / E os sapato...


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A Minha Ténica Narrativa

Todas as características da minha técnica narrativa actual (eu preferiria dizer: do meu estilo) provêm de um princípio básico segundo o qual todo o «dito» se destina a ser «ouvido». Quero com isto si...

Prometo Perder

Prometo perder. Prometo por vezes fraquejar, por vezes cair, por vezes ser incapaz de ganhar. Nem sempre conseguirei superar, nem sempre conseguirei ultrapassar. Nem sempre poderei ser capaz de ir ...
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