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Poema
António Gomes Leal António Gomes Leal Portugal
1848 // 1921 Poeta/Crítico Literário
  
  
Acusação à Cruz Ha muito, ó lenho triste e consagrado!
Desfeita podridão, velho madeiro!
Que tens avassalado o mundo inteiro,
Como um pendão de luto levantado.

Se o que foi nos teus braços cravejado
Foi realmente a Hostia, o Verdadeiro,
Elle está mais ferido que um guerreiro
Para livrar das flexas do Peccado.

Ha muito já que espalhas a tristeza,
Que lutas contra a alegre Natureza,
E vences ó Cruz triste! Cruz escura!

Chega-te o inverno, symbolo tremendo!
Queremos Vida e Acção- Fica-te sendo
Um emblema de morte e sepultura!

António Gomes Leal, in 'Claridades do Sul'

Tema(s): Religião  Ler outros poemas de António Gomes Leal 
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