W. H. Auden

Inglaterra
21 Fev 1907 // 29 Set 1973
Poeta

Ah, o que é aquele Barulho

Ah, o que é aquele barulho

Ah, o que é aquele barulho que vibra no ouvidos
   Lá em baixo no vale, a rufar, a rufar?
São apenas os soldados escarlates, amor,
   Os soldados que chegam.

Ah, o que é aquela luz que vejo tão cintilante e intensa
   Lá ao longe, brilhante, brilhante?
Apenas o sol incidindo nas armas, amor,
   Enquanto avançam ligeiros.

Ah, que estão eles a fazer com todo aquele equipamento,
   Que estão eles a fazer esta manhã, esta manhã?
Somente as manobras habituais, amor,
   Ou talvez seja um aviso.

Ah, por que terão abandonado a estrada ali em baixo,
   Por que andam de repente às voltas, às voltas?
Talvez tenham recebido ordens diferentes, amor.
   Por que estás de joelhos?

Ah, não pararam para o médico cuidar deles,
   Não detiveram os cavalos, os cavalos?
Claro, ninguém está ferido, amor,
   Nenhum destes soldados.

Ah, é o padre de cabelo branco que eles querem,
   O padre, não é, não é?
Não, estão a passar ao seu portão, amor,
   Sem o irem visitar.

Ah, será o lavrador que vive tão perto.
   Será o lavrador tão astuto, tão astuto?
Já passaram a entrada da quinta, amor,
   E agora vão a correr.

Ah, onde vais? Fica aqui comigo!
   Os teus juramentos foram uma ilusão, uma ilusão?
Não, eu prometi amar-te, amor,
   Mas agora tenho de partir.

Ah, está quebrada a fechadura e estilhaçada a porta,
   Ah, é ao portão que eles chegam, chegam;
As suas botas ressoam pesadas no soalho
   E os seus olhos são ardentes.

W. H. Auden, in 'Diz-me a Verdade acerca do Amor'




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