António Gomes Leal

Portugal
6 Jun 1848 // 29 Jan 1921
Poeta/Crítico Literário

As Cathedraes

Como vos amo ver ó cathedraes sosinhas,
A recortar o azul das noutes constelladas!
Erguidos corucheus, mysticas andorinhas,
- Ó grandes cathedraes do sol ensanguentadas!

Como vos amo ver, pombas alvoroçadas!
Ogivas ideaes, anjos de puras linhas,
E ó criptas sem luz, aonde embalsamadas
Dormem de mãos em cruz as santas e as rainhas!

Em vão olhaes o Ceu sagradas epopeias!
Flores de renda e luz, d'incenso e aromas cheias,
Aves celestiaes banhadas da manhã!

Em vão santos e reis, ó monges dos desertos!
Em vão, em vão resais, sobre os livros abertos,
- O Ceu por que chorais é uma ficção christã!

António Gomes Leal, in 'Claridades do Sul'
// Consultar versos e eventuais rimas




Facebook

Inspirações

Um Estranho Ímpar

© Copyright 2003-2019 Citador - Todos os direitos reservados | SOBRE O SITE