Maria Fernanda Teles de Castro e Quadros Ferro

Portugal
8 Dez 1900 // 19 Dez 1994
Escritora

Até que um Dia...

Meus versos eram rosas, lírios, heras,
borboletas, regatos, cotovias
cantando suas doces melodias,
anjos, sereias, ninfas e quimeras.

Meus versos eram pombas entre as feras
e, na festa das horas e dos dias,
ia dançando penas e alegrias
e o ano tinha quatro primaveras.

E a festa continua... é também festa
o cardo e a urze, o tojo, a murta, a giesta,
a chuva no beiral, o vento Norte,

o gosto a mar, a lágrimas, a sal,
até que um dia a vida, a bem ou mal,
exausta de cantar me empreste à morte.

Fernanda de Castro, in "E Eu, Saudosa, Saudosa"
// Consultar versos e eventuais rimas




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