António Gomes Leal

Portugal
6 Jun 1848 // 29 Jan 1921
Poeta/Crítico Literário

Carta às Estrellas

Ninguem soletra mais vossos mysterios
Grandes letras da Noute! sem cessar...
Ó tecidos de luz! rios ethereos,
Olhos azues que amolleceis o Mar!...

O que fazeis dispersas pelo ar?!...
E ha que tempos ha já, fogos siderios,
Que ides assim como uns brandões funereos
Que levaes o Deus Padre a sepultar?!

Ha que tempos, dizei! - Ha muitos annos?...
E, com tudo, astros santos, deshumanos,
A vossa luz é sempre clara e egual!

Ha muito, que sois bons, castos, brilhantes!...
- Mas, tambem... ó crueis! sempre distantes...
Como dos nossos braços o Ideal!

António Gomes Leal, in 'Claridades do Sul'
// Consultar versos e eventuais rimas




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Carta ao Mar

Deixa escrever-te, verde mar antigo,/ Largo Oceano, velho deus limoso,/ Coração sempre lyrico, choroso,/ E terno visionario, meu amigo!/ / Das bandas do poente lamentoso/ Quando o vermelho sol vae te...

Tristissima

N'um paiz longe, secreto,/ Lendaria ilha affastada,/ Jaz todo o dia sentada/ N'um throno de marmor preto./ / No seu palacio esculpido/ Não entram constellações;/ Os tectos dos seus sallões/ São todos...

Miseria Occulta

Bate nos vidros a aurora,/ Vem depois a noute escura;/ E o pobre astro que ali móra,/ Não abandona a costura!/ / Para uns a vida é d'abrolhos!/ Para outros mouta de lyrios!/ Bem o revelam seus olhos,...
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