Francisco Joaquim Bingre

Portugal
1763 // 1856
Poeta

Com a Fortuna não Perde o Ser de Besta

Na carreira veloz, a deusa cega
Lança às vezes a mão a um feio mono
E o sobe, num instante, a um coche, a um trono,
Onde a Virtude com trabalho chega.

Porém se, louca, num jumento pega,
Por mais que o erga não lhe dá abono:
Bem se vê que foi sonho de seu sono,
Quando a vara ou bastão ela lhe entrega.

Pouco importa adornar asno casmurro
Com jaezes reais, mantas de festa,
Se a conhecer se dá no rouco zurro.

Quem, no berço, por vil se manifesta,
Quem nele baixo foi, quem nace burro,
Co'a Fortuna não perde o ser de besta.

Francisco Joaquim Bingre, in 'Sonetos'
// Consultar versos e eventuais rimas




Facebook

A Fúria Mais Fatal e Mais Medonha

Das Fúrias infernais foi sempre a Inveja/ No mundo a mais fatal e a mais medonha,/ Pois faz dos bens dos outros a peçonha/ Com que a si mesma se envenena e peja./ / Com ira e com furor, raivosa, arqu...

Terra

Ó Terra, amável mãe da Natureza!/ Fecunda em produções de imensos entes,/ Criadora das próvidas sementes/ Que abastam toda a tua redondeza!/ / Teu amor sem igual, sem par fineza,/ Teus maternais efei...

Quanto é Melhor Calar, que Ser Ouvido

Silêncio divinal, eu te respeito!/ Tu, meu Numen serás, serás meu guia/ Se até 'qui, insensato, errei a via/ De Harpócrates, quebrando o são preceito,/ / Hoje à vista do mal que tenho feito,/ Em ser ...
© Copyright 2003-2016 Citador - Todos os direitos reservados | SOBRE O SITE