Jorge de Sena

Portugal
2 Nov 1919 // 4 Jun 1978
Poeta/Crítico/Ensaísta/Ficcionista

Desencontro

Só quem procura sabe como há dias
de imensa paz deserta; pelas ruas
a luz perpassa dividida em duas:
a luz que pousa nas paredes frias,
outra que oscila desenhando estrias
nos corpos ascendentes como luas
suspensas, vagas, deslizantes, nuas,
alheias, recortadas e sombrias.

E nada coexiste. Nenhum gesto
a um gesto corresponde; olhar nenhum
perfura a placidez, como de incesto,

de procurar em vão; em vão desponta
a solidão sem fim, sem nome algum -
- que mesmo o que se encontra não se encontra.

Jorge de Sena, in 'Post-Scriptum'
// Consultar versos e eventuais rimas




Facebook

© Copyright 2003-2019 Citador - Todos os direitos reservados | SOBRE O SITE