A Mensageira das Violetas

por: Florbela Espanca
Portugal
8 Dez 1894 // 8 Dez 1930
Poetisa

23 Poemas

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Perdi os Meus Fantásticos Castelos (1)

Perdi meus fantásticos castelos/ Como névoa distante que se esfuma.../ Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:/ Quebrei as minhas lanças uma a uma!/ / Perdi minhas galeras entre os gelos/ Que se a...

Falo de Ti às Pedras das Estradas (2)

Falo de ti às pedras das estradas,/ E ao sol que e louro como o teu olhar,/ Falo ao rio, que desdobra a faiscar,/ Vestidos de princesas e de fadas;/ / Falo às gaivotas de asas desdobradas,/ Lembrando...

Mentiras (3)

Ai quem me dera uma feliz mentira/ que fosse uma verdade para mim!/ J. DANTAS/ / Tu julgas que eu não sei que tu me mentes/ Quando o teu doce olhar pousa no meu?/ Pois julgas que eu não sei o ...

Frémito do Meu Corpo a Procurar-te (4)

Frémito do meu corpo a procurar-te,/ Febre das minhas mãos na tua pele/ Que cheira a âmbar, a baunilha e a mel,/ Doído anseio dos meus braços a abraçar-te,/ / Olhos buscando os teus por toda a parte,...

Diz-me, Amor, como Te Sou Querida (5)

Dize-me, amor, como te sou querida,/ Conta-me a glória do teu sonho eleito,/ Aninha-me a sorrir junto ao teu peito,/ Arranca-me dos pântanos da vida./ / Embriagada numa estranha lida,/ Trago nas mãos...

Doce Certeza (6)

Por essa vida fora hás-de adorar/ Lindas mulheres, talvez; em ânsia louca,/ Em infinito anseio hás de beijar/ Estrelas d´ouro fulgindo em muita boca!/ / Hás de guardar em cofre perfumado/ Cabelos d´o...

O Teu Olhar (7)

Passam no teu olhar nobres cortejos,/ Frotas, pendões ao vento sobranceiros,/ Lindos versos de antigos romanceiros,/ Céus do Oriente, em brasa, como beijos,/ / Mares onde não cabem teus desejos;/ Pas...

Quem? (8)

Não sei quem és. Já não te vejo bem.../ E ouço-me dizer (ai, tanta vez!...)/ Sonho que um outro sonho me desfez?/ Fantasma de que amor? Sombra de quem?/ / Névoa? Quimera? Fumo? Donde vem?.../ - Não s...

A Tua Voz de Primavera (9)

Manto de seda azul, o céu reflete/ Quanta alegria na minha alma vai!/ Tenho os meus lábios úmidos: tomai/ A flor e o mel que a vida nos promete!/ / Sinfonia de luz meu corpo não repete/ O ritmo e a c...

O Maior Bem (10)

Este querer-te bem sem me quereres,/ Este sofrer por ti constantemente,/ Andar atrás de ti sem tu me veres/ Faria piedade a toda a gente./ / Mesmo a beijar-me a tua boca mente.../ Quantos sangrentos ...

Aos Olhos Dele (11)

Não acredito em nada. As minhas crenças/ Voaram como voa a pomba mansa,/ Pelo azul do ar. E assim fugiram o/ As minhas doces crenças de criança./ / Fiquei então sem fé; e a toda gente/ Eu digo sempre...

Anseios (12)

Meu doido coração aonde vais,/ No teu imenso anseio de liberdade?/ Toma cautela com a realidade;/ Meu pobre coração olha cais!/ / Deixa-te estar quietinho! Não amais/ A doce quietação da soledade?/ T...

Trazes-me em Tuas Mãos de Vitorioso (13)

Trazes-me em tuas mãos de vitorioso/ Todos os bens que a vida me negou,/ E todo um roseiral, a abrir, glorioso/ Que a solitária estrada perfumou./ / Neste meio-dia límpido, radioso,/ Sinto o teu cora...

Errante (14)

Meu coração da cor dos rubros vinhos/ Rasga a mortalha do meu peito brando/ E vai fugindo, e tonto vai andando/ A perder-se nas brumas dos caminhos./ / Meu coração o místico profeta,/ O paladino auda...

Versos (15)

Versos! Versos! Sei lá o que são versos.../ Pedaços de sorriso, branca espuma,/ Gargalhadas de luz, cantos dispersos,/ Ou pétalas que caem uma a uma.../ / Versos!... Sei lá! Um verso é o teu olhar,/ ...

À Tua Porta Há um Pinheiro Manso (16)

À tua porta há um pinheiro manso/ De cabeça pendida, a meditar,/ Amor! Sou eu, talvez, a contemplar/ Os doces sete palmos do descanso./ / Sou eu que para ti atiro e lanço,/ Como um grito, meus ramos ...

Sem Palavras (17)

Brancas, suaves mãos de irmã/ Que são mais doces que as das rainhas,/ Hão de pousar em tuas mãos, as minhas/ Numa carícia transcendente e vã./ / E a tua boca a divinal manhã/ Que diz as frases com qu...

O Meu Soneto (18)

Em atitudes e em ritmos fleumáticos,/ Erguendo as mãos em gestos recolhidos,/ Todos brocados fúlgidos, hieráticos,/ Em ti andam bailando os meus sentidos.../ / E os meus olhos serenos, enigmáticos/ M...

Os Meus Versos (19)

Rasga esses versos que eu te fiz, amor!/ Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,/ Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,/ Que a tempestade os leve aonde for!/ / Rasga-os na mente, se os soub...

Noite Trágica (20)

O pavor e a angústia andam dançando.../ Um sino grita endechas de poentes.../ Na meia-noite d´hoje, soluçando,/ Que presságios sinistros e dolentes!.../ / Tenho medo da noite!... Padre nosso/ Que est...

Cegueira Bendita (21)

Ando perdida nestes sonhos verdes/ De ter nascido e não saber quem sou,/ Ando ceguinha a tatear paredes/ E nem ao menos sei quem me cegou!/ / Não vejo nada, tudo é morto e vago.../ E a minha alma ceg...

Junquilhos (22)

Nessa tarde mimosa de saudade/ Em que eu te vi partir, ó meu amor,/ Levaste-me a minh'alma apaixonada/ Nas folhas perfumadas duma flor./ / E como a alma, dessa florzita,/ Que é minha, por ti palpita ...

A Anto! (23)

Poeta da saudade, ó meu poeta qu´rido/ Que a morte arrebatou em seu sorrir fatal,/ Ao escrever o Só pensaste enternecido/ Que era o mais triste livro deste Portugal,/ / Pensaste nos que liam e...
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