Charneca em Flor

por: Florbela Espanca
Portugal
8 Dez 1894 // 8 Dez 1930
Poetisa

44 Poemas

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Se Tu Viesses Ver-me... (1)

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,/ A essa hora dos mágicos cansaços,/ Quando a noite de manso se avizinha,/ E me prendesses toda nos teus braços.../ / Quando me lembra: esse sabor que tinha/ A tu...

Amar! (2)

Eu quero amar, amar perdidamente!/ Amar só por amar: Aqui... além.../ Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente.../ Amar! Amar! E não amar ninguém!/ / Recordar? Esquecer? Indiferente!.../ Prender ou...

Alma a Sangrar (3)

Quem fez ao sapo o leito carmesim/ De rosas desfolhadas à noitinha?/ E quem vestiu de monja a andorinha,/ E perfumou as sombras do jardim?/ / Quem cinzelou estrelas no jasmim?/ Quem deu esses cabelos...

Realidade (4)

Em ti o meu olhar fez-se alvorada,/ E a minha voz fez-se gorjeio de ninho,/ E a minha rubra boca apaixonada/ Teve a frescura pálida do linho./ / Embriagou-me o teu beijo como um vinho/ Fulvo de Espan...

A Nossa Casa (5)

A nossa casa, Amor, a nossa casa!/ Onde está ela, Amor, que não a vejo?/ Na minha doida fantasia em brasa/ Constrói-a, num instante, o meu desejo!/ / Onde está ela, Amor, a nossa casa,/ O bem que nes...

Ser Poeta (6)

Ser Poeta é ser mais alto, é ser maior/ Do que os homens! Morder como quem beija!/ É ser mendigo e dar como quem seja/ Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!/ / É ter de mil desejos o esplendor/ E não ...

Ambiciosa (7)

Para aqueles fantasmas que passaram,/ Vagabundos a quem jurei amar,/ Nunca os meus braços lânguidos traçaram/ O vôo dum gesto para os alcançar.../ / Se as minhas mãos em garra se cravaram/ Sobre um a...

Charneca em Flor (8)

Enche o meu peito, num encanto mago,/ O frêmito das coisas dolorosas.../ Sob as urzes queimadas nascem rosas.../ Nos meus olhos as lágrimas apago.../ / Anseio! Asas abertas! O que trago/ Em mim? Eu o...

Não Ser (9)

Quem me dera voltar à inocência/ Das coisas brutas, sãs, inanimadas,/ Despir o vão orgulho, a incoerência:/ - Mantos rotos de estátuas mutiladas!/ / Ah! arrancar às carnes laceradas/ Seu mísero segre...

Conto de Fadas (10)

Eu trago-te nas mãos o esquecimento/ Das horas más que tens vivido, Amor!/ E para as tuas chagas o unguento/ Com que sarei a minha própria dor./ / Os meus gestos são ondas de Sorrento.../ Trago no no...
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