António Gomes Leal

Portugal
6 Jun 1848 // 29 Jan 1921
Poeta/Crítico Literário

Noutes de Chuva

Eu não sei, ó meu bem, cheio de graças!
Se tu amas no Outomno - já sem rosas! -
A longa e lenta chuva nas vidraças,
E as noutes glaciaes e pluviosas!

N'essas noutes sem luz, que - visionarios-
Temos chymeras misticas, celestes,
E scismamos nos pobres solitarios
Que tiritam debaixo dos cyprestes!

Que evocamos os liricos passados,
As chymeras, e as horas infelizes,
Os velhos casos tristes olvidados,-
E os mortos corações sob as raizes!

N'essas noutes, meu bem! em que desfeito
Cae o frio granizo nas estradas,
E tanto apraz, sonhando, sobre o leito,
Ouvir a longa chuva nas calçadas!

N'essas noutes, electricas, nervosas,
Todas cheias d'aromas outonaes,
Que a tristeza tem formas monstruosas
Como n'um sonho os porticos claustraes.

Noutes só em que o sabio acha prazeres,
- Tão ignorados dos crueis profanos! -
E em que as nervosas, mysticas mulheres,
Desfallecem chorando nos pianos.

N'essas noutes, meu bem! é que os poetas
Tem ás vezes seus sonhos mais brilhantes,
Folheam suas obras predilectas...
- E evocam rostos... e visões distantes!

António Gomes Leal, in 'Claridades do Sul'
// Consultar versos e eventuais rimas




Facebook

Carta ao Mar

Deixa escrever-te, verde mar antigo,/ Largo Oceano, velho deus limoso,/ Coração sempre lyrico, choroso,/ E terno visionario, meu amigo!/ / Das bandas do poente lamentoso/ Quando o vermelho sol vae te...

Tristissima

N'um paiz longe, secreto,/ Lendaria ilha affastada,/ Jaz todo o dia sentada/ N'um throno de marmor preto./ / No seu palacio esculpido/ Não entram constellações;/ Os tectos dos seus sallões/ São todos...

Miseria Occulta

Bate nos vidros a aurora,/ Vem depois a noute escura;/ E o pobre astro que ali móra,/ Não abandona a costura!/ / Para uns a vida é d'abrolhos!/ Para outros mouta de lyrios!/ Bem o revelam seus olhos,...
Inspirações

Amar e Ser Amado

© Copyright 2003-2016 Citador - Todos os direitos reservados | SOBRE O SITE