Eugénio de Andrade

Portugal
19 Jan 1923 // 13 Jun 2005
Poeta

O Amor

Estou a amar-te como o frio
corta os lábios.

A arrancar a raiz
ao mais diminuto dos rios.

A inundar-te de facas,
de saliva esperma lume.

Estou a rodear de agulhas
a boca mais vulnerável

A marcar sobre os teus flancos
o itinerário da espuma

Assim é o amor: mortal e navegável.

Eugénio de Andrade, in "Obscuro Domínio"
// Consultar versos e eventuais rimas




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