John Donne

Inglaterra
22 Jan 1572 // 31 Mar 1631
Clérigo/Poeta/Prosador

O Amor Limitado

          Algum homem indigno de ser possuidor
De amor velho ou novo, sendo ele próprio falso ou fraco,
          Pensou que a sua dor e vergonha seriam menores
Se a sua ira sobre as mulheres descarregasse.
          E então uma lei nasceu:
          Que cada uma um só homem conhecesse.
          Mas são assim as outras criaturas?
         
          São o sol, a lua, as estrelas proibidos por lei
De sorrir para onde lhes apetece, ou de esbanjar a sua luz?
          Divorciam-se os pássaros, ou são censurados
Se abandonam o seu par, ou dormem fora uma noite?
          Os animais não perdem as suas pensões
          Ainda que escolham novos amantes,
          Mas nós fizémo-nos piores do que eles.
         
          Quem já armou belos navios para ancorar nos portos,
Em vez de buscar novas terras, ou negociar com todos?
          Ou construiu belas casas, plantou árvores e arbustos,
Apenas para as trancar, ou então deixá-los cair?
          O Bom não é bom, a não ser
          Que mil coisas possua,
          Mas arruína-se com a avidez.

John Donne, in "Poemas Eróticos"
Tradução de Helena Barbas
// Consultar versos e eventuais rimas




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