Pablo Neruda

Chile
12 Jul 1904 // 23 Set 1973
Poeta [Nobel 1971]

O Pai

Terra de semente inculta e bravia,
terra onde não há esteiros ou caminhos,
sob o sol minha vida se alonga e estremece.

Pai, nada podem teus olhos doces,
como nada puderam as estrelas
que me abrasam os olhos e as faces.

Escureceu-me a vista o mal de amor
e na doce fonte do meu sonho
outra fonte tremida se reflecte.

Depois... Pergunta a Deus porque me deram
o que me deram e porque depois
conheci a solidão do céu e da terra.

Olha, minha juventude foi um puro
botão que ficou por rebentar e perde
a sua doçura de seiva e de sangue.

O sol que cai e cai eternamente
cansou-se de a beijar... E o outono.
Pai, nada podem teus olhos doces.

Escutarei de noite as tuas palavras:
... menino, meu menino...

E na noite imensa
com as feridas de ambos seguirei.

Pablo Neruda, in "Crepusculário"
Tradução de Rui Lage
// Consultar versos e eventuais rimas




Facebook

Se Me Esqueceres

Quero que saibas/ uma coisa./ / Sabes como é:/ se olho/ a lua de cristal, o ramo vermelho/ do lento outono à minha janela,/ se toco/ junto do lume/ a impalpável cinza/ ou o enrugado corpo da lenha,/ ...

Para não Deixar de Amar-te Nunca

Saberás que não te amo e que te amo/ pois que de dois modos é a vida,/ a palavra é uma asa do silêncio,/ o fogo tem a sua metade de frio./ / Amo-te para começar a amar-te,/ para recomeçar o infinito/...

O Teu Riso

Tira-me o pão, se quiseres,/ tira-me o ar, mas/ não me tires o teu riso./ / Não me tires a rosa,/ a flor de espiga que desfias,/ a água que de súbito/ jorra na tua alegria,/ a repentina onda/ de prat...
Inspirações

Ímpeto de Voar

© Copyright 2003-2016 Citador - Todos os direitos reservados | SOBRE O SITE