Pedro Homem de Mello

Portugal
6 Set 1904 // 5 Mar 1984
Poeta/Professor/Folclorista

Solidão

Ó solidão! À noite, quando, estranho,
Vagueio sem destino, pelas ruas,
O mar todo é de pedra... E continuas.
Todo o vento é poeira... E continuas.
A Lua, fria, pesa... E continuas.
Uma hora passa e outra... E continuas.
Nas minhas mãos vazias continuas,
No meu sexo indomável continuas,
Na minha branca insónia continuas,
Paro como quem foge. E continuas.
Chamo por toda a gente. E continuas.
Ninguém me ouve. Ninguém! E continuas.
Invento um verso... E rasgo-o. E continuas.
Eterna, continuas... Mas sei por fim que sou do teu tamanho!

Pedro Homem de Mello, in "O Rapaz da Camisola Verde"
// Consultar versos e eventuais rimas




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Não Choreis os Mortos

Não choreis nunca os mortos esquecidos/ Na funda escuridão das sepulturas./ Deixai crescer, à solta, as ervas duras/ Sobre os seus corpos vãos adormecidos./ / E quando, à tarde, o Sol, entre brasidos...

Amizade

Ser-se amigo é ser-se pai/ ( — Ou mais do que pai talvez...)/ É pôr-se a boca onde cai/ A nódoa que nos desfez./ / É dar sem receber nada,/ Consciente da prisão,/ Onde os nossos passos vão/ Em linha ...

Povo

Povo que lavas no rio,/ Que vais às feiras e à tenda,/ Que talhas com teu machado/ As tábuas do meu caixão,/ Pode haver quem te defenda,/ Quem turve o teu ar sadio,/ Quem compre o teu chão sagrado,/ ...
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