Poemas - Tema: Alma

66 Poemas

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Entre o Sono e Sonho (1)

Entre o sono e sonho,/ Entre mim e o que em mim/ É o quem eu me suponho/ Corre um rio sem fim./ / Passou por outras margens,/ Diversas mais além,/ Naquelas várias viagens/ Que todo o rio tem./ / Cheg...

A Melhor Maneira de Viajar é Sentir (2)

Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir. / Sentir tudo de todas as maneiras. / Sentir tudo excessivamente, / Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas / E toda a realidade é um excesso, ...

Feliz Dia para Quem É (3)

Feliz dia para quem é/ O igual do dia,/ E no exterior azul que vê/ Simples confia!/ / Azul do céu faz pena a quem/ Não pode ser/ Na alma um azul do céu também/ Com que viver/ / Ah, e se o verde com q...

Põe-me as Mãos nos Ombros... (4)

Põe-me as mãos nos ombros.../ Beija-me na fronte.../ Minha vida é escombros,/ A minha alma insonte./ / Eu não sei por quê,/ Meu desde onde venho,/ Sou o ser que vê,/ E vê tudo estranho./ / Põe a tua ...

Eu (5)

Até agora eu não me conhecia,/ julgava que era Eu e eu não era/ Aquela que em meus versos descrevera/ Tão clara como a fonte e como o dia./ / Mas que eu não era Eu não o sabia/ mesmo que o soubesse, ...

A Minha Alma Partiu-se (6)

A minha alma partiu-se como um vaso vazio. / Caiu pela escada excessivamente abaixo. / Caiu das mãos da criada descuidada. / Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso. / / Asneira? Impo...

Alma a Sangrar (7)

Quem fez ao sapo o leito carmesim/ De rosas desfolhadas à noitinha?/ E quem vestiu de monja a andorinha,/ E perfumou as sombras do jardim?/ / Quem cinzelou estrelas no jasmim?/ Quem deu esses cabelos...

Alma Minha Gentil, que te Partiste (8)

Alma minha gentil, que te partiste/ Tão cedo desta vida descontente,/ Repousa lá no Céu eternamente,/ E viva eu cá na terra sempre triste./ / Se lá no assento Etéreo, onde subiste,/ Memória desta vid...

Espera... (9)

Não me digas adeus, ó sombra amiga,/ Abranda mais o ritmo dos teus passos;/ Sente o perfume da paixão antiga,/ Dos nossos bons e cândidos abraços!/ / Sou a dona dos místicos cansaços,/ A fantástica e...

Vaga, no Azul Amplo Solta (10)

Vaga, no azul amplo solta,/ Vai uma nuvem errando./ O meu passado não volta./ Não é o que estou chorando./ / O que choro é diferente./ Entra mais na alma da alma./ Mas como, no céu sem gente,/ A nuve...

Os Instantes Superiores da Alma (11)

Os instantes Superiores da Alma/ Acontecem-lhe - na solidão -/ Quando o amigo - e a ocasião Terrena/ Se retiram para muito longe -/ / Ou quando - Ela Própria - subiu/ A um plano tão alto/ Para Reconh...

O Meu Soneto (12)

Em atitudes e em ritmos fleumáticos,/ Erguendo as mãos em gestos recolhidos,/ Todos brocados fúlgidos, hieráticos,/ Em ti andam bailando os meus sentidos.../ / E os meus olhos serenos, enigmáticos/ M...

A Cor da Tua Alma (13)

Enquanto eu te beijo, o seu rumor/ nos dá a árvore, que se agita ao sol de ouro/ que o sol lhe dá ao fugir, fugaz tesouro/ da árvore que é a árvore de meu amor. / / Não é fulgor, não é ardor, não é...

Começa a Ir Ser Dia (14)

Começa a ir ser dia,/ O céu negro começa,/ Numa menor negrura/ Da sua noite escura,/ A Ter uma cor fria/ Onde a negrura cessa./ / Um negro azul-cinzento/ Emerge vagamente/ De onde o oriente dorme/ Se...

Tenho Mais Almas que Uma (15)

Vivem em nós inúmeros;/ Se penso ou sinto, ignoro/ Quem é que pensa ou sente./ Sou somente o lugar/ Onde se sente ou pensa./ / Tenho mais almas que uma./ Há mais eus do que eu mesmo./ Existo todavia/...

Um Poema Que Se Perdeu (16)

Hoje o dia é um dia chuvoso e triste / amortalhado/ Naquela monotonia doente dos grandes dias./ / Hoje o dia.../ (a pena caiu-me das mãos)/ / Acabou-se o poema no papel./ Cá por dentro/ Continua.../ ...

Canto dos Espíritos sobre as Águas (17)

A alma do homem/ É como a água:/ Do céu vem,/ Ao céu sobe,/ E de novo tem/ Que descer à terra,/ Em mudança eterna./ / Corre do alto/ Rochedo a pino/ O veio puro,/ Então em belo/ Pó de ondas de névoa/...

Às Vezes Entre a Tormenta (18)

Às vezes entre a tormenta,/ quando já umedeceu,/ raia uma nesga no céu,/ com que a alma se alimenta./ / E às vezes entre o torpor/ que não é tormenta da alma,/ raia uma espécie de calma/ que não conh...

Nocturno (19)

Por onde quer que minha alma/ navegue, ou ande, ou voe, tudo, tudo/ é seu. Que tranquila/ em toda a parte, sempre;/ agora na alta proa/ que em duas pratas abre o azul profundo,/ descendo ao fundo ou ...

Interrogação (20)

A Guido Batelli/ / Neste tormento inútil, neste empenho/ De tornar em silêncio o que em mim canta,/ Sobem-me roucos brados à garganta/ Num clamor de loucura que contenho./ / Ó alma de charneca sacros...
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