66 Poemas

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Spleen (21)

Quando o cinzento céu, como pesada tampa,/ Carrega sobre nós, e nossa alma atormenta,/ E a sua fria cor sobre a terra se estampa,/ O dia transformado em noite pardacenta;/ / Quando se muda a terra em...

Opiário (22)

Ao Senhor Mário de Sá-Carneiro / / É antes do ópio que a minh'alma é doente. / Sentir a vida convalesce e estiola / E eu vou buscar ao ópio que consola / Um Oriente ao oriente do Oriente. / / Esta vi...

Às Vezes Entre a Tormenta (23)

Às vezes entre a tormenta,/ quando já umedeceu,/ raia uma nesga no céu,/ com que a alma se alimenta./ / E às vezes entre o torpor/ que não é tormenta da alma,/ raia uma espécie de calma/ que não conh...

A Angústia (24)

Nada em ti me comove, Natureza, nem/ Faustos das madrugadas, nem campos fecundos,/ Nem pastorais do Sul, com o seu eco tão rubro,/ A solene dolência dos poentes, além./ / Eu rio-me da Arte, do Homem,...

Nocturno (25)

Por onde quer que minha alma/ navegue, ou ande, ou voe, tudo, tudo/ é seu. Que tranquila/ em toda a parte, sempre;/ agora na alta proa/ que em duas pratas abre o azul profundo,/ descendo ao fundo ou ...

Interrogação (26)

A Guido Batelli/ / Neste tormento inútil, neste empenho/ De tornar em silêncio o que em mim canta,/ Sobem-me roucos brados à garganta/ Num clamor de loucura que contenho./ / Ó alma de charneca sacros...
Charneca em Flor

Lei (27)

O que é preciso é entender a solidão!/ O que é preciso é aceitar, mesmo, a onda amarga/ que leva os mortos./ / O que é preciso é esperar pela estrela/ que ainda não está completa./ / O que é preciso ...

Grandes Mistérios Habitam (28)

Grandes mistérios habitam/ O limiar do meu ser,/ O limiar onde hesitam/ Grandes pássaros que fitam/ Meu transpor tardo de os ver./ / São aves cheias de abismo,/ Como nos sonhos as há./ Hesito se sond...

Alma Serena (29)

Alma serena, a consciência pura,/ assim eu quero a vida que me resta./ Saudade não é dor nem amargura,/ dilui-se ao longe a derradeira festa./ / Não me tentam as rotas da aventura,/ agora sei que a m...

Quem Sabe?... (30)

Ao Ângelo/ / Queria tanto saber por que sou Eu!/ Quem me enjeitou neste caminho escuro?/ Queria tanto saber por que seguro/ Nas minhas mãos o bem que não é meu!/ / Quem me dirá se, lá no alto, o céu/...
Charneca em Flor

Uma Após Uma as Ondas Apressadas (31)

Uma Após Uma/ Uma após uma as ondas apressadas/ Enrolam o seu verde movimento/ E chiam a alva 'spuma/ No moreno das praias./ / Uma após uma as nuvens vagarosas/ Rasgam o seu redondo movimento/ E o so...

Princesa Desalento (32)

Minh'alma é a Princesa Desalento,/ Como um Poeta lhe chamou, um dia./ É revoltada, trágica, sombria,/ Como galopes infernais de vento!/ / É frágil como o sonho dum momento,/ Soturna como preces de ag...
Livro de Sóror Saudade

Alma Perdida (33)

Toda esta noite o rouxinol chorou,/ Gemeu, rezou, gritou perdidamente!/ Alma de rouxinol, alma da gente,/ Tu és, talvez, alguém que se finou!/ / Tu és, talvez, um sonho que passou,/ Que se fundiu na ...
Livro de Mágoas

Eu Nunca Guardei Rebanhos (34)

Eu nunca guardei rebanhos,/ Mas é como se os guardasse./ Minha alma é como um pastor,/ Conhece o vento e o sol/ E anda pela mão das Estações/ A seguir e a olhar./ Toda a paz da Natureza sem gente/ Ve...

Estas Almas Incertas (35)

Quero um mal de morte/ A estas almas incertas./ Tortura-as a honra que vos fazem,/ Pesam-lhes, dão-lhe vergonha os seus louvores./ Porque não vivo/ Preso à sua trela,/ Saúdam-me com um olhar agridoce...
A Gaia Ciência

A Casa Branca Nau Preta (36)

Estou reclinado na poltrona, é tarde, o Verão apagou-se... / Nem sonho, nem cismo, um torpor alastra em meu cérebro... / Não existe manhã para o meu torpor nesta hora... / Ontem foi um mau sonho que ...

Não te Arruínes, Alma, Enriquece (37)

Centro da minha terra pecadora,/ alma gasta da própria rebeldia,/ porque tremes lá dentro se por fora/ vais caiando as paredes de alegria?/ Para quê tanto luxo na morada/ arruinada, arrendada a curto...

Fui Pedir um Sonho ao Jardim dos Mortos (38)

Fui pedir um sonho ao jardim dos mortos./ Quis pedi-lo, aos vivos. Disseram-me que não./ Os mortos não sabem, lá onde é que estão,/ Que neles se enfeitam os meus braços tortos./ / Os mortos dormiam.....

Luta (39)

Fluxo e refluxo eterno.../ João de Deus./ / Dorme a noite encostada nas colinas./ Como um sonho de paz e esquecimento/ Desponta a lua. Adormeceu o vento,/ Adormeceram vales e campinas.../ / Mas a mim...

Redenção (40)

I/ / Vozes do mar, das árvores, do vento!/ Quando às vezes, n'um sonho doloroso,/ Me embala o vosso canto poderoso,/ Eu julgo igual ao meu vosso tormento.../ / Verbo crepuscular e íntimo alento/ Das ...
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