64 Poemas

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Primavera (21)

Ah! quem nos dera que isto, como outrora,/ Inda nos comovesse! Ah! quem nos dera/ Que inda juntos pudéssemos agora/ Ver o desabrochar da primavera!/ / Saíamos com os pássaros e a aurora./ E, no chão,...

A Eterna Ausência (22)

Eu aguardei com lágrimas e o vento/ suavizando o meu instinto aberto/ no fumo do cigarro ou na alegria das aves/ o surgimento anónimo/ no grande cais da vida/ ...

A Sésta (23)

Pierrot escondido por entre o amarello dos gyrassois espreita em cautela o somno d'ella dormindo na sombra da tangerineira. E ella não dorme, espreita tambem de olhos descidos, mentindo o sôno, as ve...

Elegia dos Amantes Lúcidos (24)

Na girândola das árvores (e não há quem as detenha)/ Deixa de fora a tarde o vermelho que a tinge./ Se ao menos tu ficasses na pausa que desenha/ O contorno lunar da noite que te finge!/ / Se ao meno...

O Meu Sonho Habitual (25)

Tenho às vezes um sonho estranho e penetrante/ Com uma desconhecida, que amo e que me ama/ E que, de cada vez, nunca é bem a mesma/ Nem é bem qualquer outra, e me ama e compreende./ / Porque me enten...

Anda, Vem (26)

Anda, vem... por que te négas,/ Carne morêna, toda perfume?/ Por que te cálas,/ Por que esmoreces/ Boca vermêlha, - rosa de lume!/ / Se a luz do dia/ Te cóbre de pêjo,/ Esperemos a noite presos n'um ...

Manias (27)

O mundo é velha cena ensanguentada./ Coberta de remendos, picaresca;/ A vida é chula farsa assobiada,/ Ou selvagem tragédia romanesca./ / Eu sei um bom rapaz, - hoje uma ossada -,/ Que amava certa da...

Os Amantes Obscuros (28)

Nossos sentidos juntos fazem chama:/ e as fantasias nossas vão soltar/ os desejos desertos de quem ama/ e em verso ou coração se quis tornar./ / Nossos sentidos são matéria prima/ de um canto que é m...

O Testamento dos Namorados (29)

Escolhamos as coisas mais inúteis/ o verde água o rumor das frutas/ e partamos como quem sai/ ao domingo naturalmente./ / Deixemos entretanto o sinal/ de ter existido carnalmente:/ da tua força um ca...

Adormecer (30)

Vai vida na madrugada fria./ / O teu amante fica,/ na posse deste momento que foi teu,/ amorfo e sem limites como um anjo;/ a cabeça cheia de estrelas.../ Fica abraçado a esta poeira que teu pé levan...

Toledo (31)

Diluído numa taça de oiro a arder/ Toledo é um rubi. E hoje é só nosso!/ O sol a rir... Vivalma... Não esboço/ Um gesto que me não sinta esvaecer.../ / As tuas mãos tacteiam-me a tremer.../ Meu corpo...
Charneca em Flor

A Noite Suavemente Descia (32)

A noite/ Suavemente descia;/ E eu nos teus braços deitádo/ Até sonhei que morria./ / E via/ Goivos e cravos aos mólhos;/ Um Christo crucificado;/ Nos teus olhos,/ Suavidade e frieza;/ Damasco rôxo, c...

Destruição (33)

Os amantes se amam cruelmente/ e com se amarem tanto não se vêem:/ Um se beija no outro, reflectido./ Dois amantes que são? Dois inimigos./ / Amantes são meninos estragados/ pelo mimo de amar: e não ...

Quem é que Abraça o meu Corpo (34)

Quem é que abraça o meu corpo/ Na penumbra do meu leito?/ Quem é que beija o meu rosto,/ Quem é que morde o meu peito?/ Quem é que falla da morte,/ Docemente, ao meu ouvido?/ / És tu, Senhor dos meus...

Se Me Deixares, Eu Digo (35)

Se me deixares, eu digo/ O contrario a toda a gente;/ E, n'este mundo de enganos,/ Falla verdade quem mente./ Tu dizes que a minha boca/ Já não acorda desejos,/ Já não aquece outra boca,/ Já não mere...

Tenho a Certeza de que Entre Nós Tudo Acabou (36)

Tenho a certeza/ De que entre nós tudo acabou./ Deixal-o!/ Bemdita seja a tristesa!/ - Não ha bem que sempre dure/ E o meu bem pouco durou./ / Não levantes os teus braços,/ Para de novo cingir/ A min...

Amores, Amores (37)

Não sou eu tão tola/ Que caia em casar;/ Mulher não é rola/ Que tenha um só par:/ Eu tenho um moreno,/ Tenho um de outra cor,/ Tenho um mais pequeno,/ Tenho outro maior./ / Que mal faz um beijo,...

Agora me Sinto Alegre e Inspirado (38)

Agora me sinto alegre e inspirado em chão clássico;/ Mundo de outrora e de hoje mais alto e atraente me/ fala./ Aqui sig...

Os Amantes (39)

Encheram profunda taça e envolveram-se em fervor./ Ficou-lhes na boca — presa ao crescente desejo/ de mais beberem, de mais conhecerem — o sabor/ da outra Vida maior, onde os levara o ensejo/ de ultr...

Lassidão (40)

Ah, por favor, doçura, doçura, doçura!/ Acalma esses arroubos febris, minha bela./ Mesmo em grandes folguedos, a amante só deve/ Mostrar o abandono calmo da irmã pura./ / Sê lânguida, adormece-me com...
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