24 Poemas

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Eu Sou do Tamanho do que Vejo (1)

Da minha aldeia veio quanto da terra se pode ver no Universo.../ Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer/ Porque eu sou do tamanho do que vejo/ E não, do tamanho da minha altur...

Ela Canta, Pobre Ceifeira (2)

Ela canta, pobre ceifeira,/ Julgando-se feliz talvez;/ Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia/ De alegre e anônima viuvez,/ / Ondula como um canto de ave/ No ar limpo como um limiar,/ E há curvas no enre...

Rústica (3)

Ser a moça mais linda do povoado./ Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,/ Ver descer sobre o ninho aconchegado/ A bênção do Senhor em cada filho./ / Um vestido de chita bem lavado,/ Cheirando a alf...
Charneca em Flor

A Gentil Camponesa (4)

MOTE/ / Tu és pura e imaculada,/ Cheia de graça e beleza;/ Tu és a flor minha amada,/ És a gentil camponesa./ / GLOSAS/ / És tu que não tens maldade,/ És tu que tudo mereces,/ És, sim, porque desconh...

Primavera (5)

O sol vae esmolando os campos com bôdos de oiro./ / A pastorinha aquecida vae de corrida a mendigar a sombra do chorão corcunda, poeta romantico que tem paixão p'la fonte./ / Espreita os campos, e os...

Penso em Ti e Dentro de Mim Estou Completo (6)

Vai alta no céu a lua da Primavera/ Penso em ti e dentro de mim estou completo./ / Corre pelos vagos campos até mim uma brisa ligeira./ Penso em ti, murmuro o teu nome; e não sou eu: sou feliz./ / Am...

Poema da Terra Adubada (7)

Por detrás das árvores não se escondem faunos, não./ Por detrás das árvores escondem-se os soldados/ com granadas de mão./ / As árvores são belas com os troncos dourados./ São boas e largas para esco...

Os Semeadores (8)

Vós os que hoje colheis, por esses campos largos,/ O doce fruto e a flor,/ Acaso esquecereis os ásperos e amargos/ Tempos do semeador?/ / Rude era o chão; agreste e longo aquele d...

Pastor do Monte, Tão Longe de Mim (9)

Pastor do monte, tão longe de mim com as tuas ovelhas/ Que felicidade é essa que pareces ter — a tua ou a minha?/ A paz que sinto quando te vejo, pertence-me, ou pertence-te?/ Não, nem a ti nem a mim...

O Camponês Trata das Leiras (10)

1/ / O camponês trata das leiras/ Mantém em forma as vacas, paga impostos/ Faz filhos pra poupar criados e/ Está dependente do preço do leite./ Os da cidade falam do amor ao torrão/ Da sadia cepa cam...

Canção (11)

A pastorinha morreu, todos estão a chorar. Ninguem a conhecia e todos estão a chorar./ / A pastorinha morreu, morreu de seus amôres. Á beira do rio nasceu uma arvore e os braços da arvore abriram-se ...

Posfácio à Toca do Lobo (12)

- Pai, vem da morte e vamos às perdizes./ Vejo a aurora, que tinge do seu rajo/ de dente a dente a Serra de Soajo.../ - Ciprestes, desatai-o das raízes!/ / - Este Inverno as perdizes estão em barda:/...

As Aldeias (13)

Eu gosto das aldeias socegadas,/ Com seu aspecto calmo e pastoril,/ Erguidas nas collinas azuladas -/ Mais frescas que as manhãs finas d'Abril./ / Levanta a alma ás cousas visionarias/ A doce paz das...

Ela Ia, Tranquila Pastorinha (14)

Ela ia, tranquila pastorinha,/ Pela estrada da minha imperfeição./ Segui-a, como um gesto de perdão,/ O seu rebanho, a saudade minha.../ / Em longes terras hás de ser rainha / Um dia lhe disseram, m...

Tio e Sobrinho (15)

À memória de/ Manoel José da Costa Filho/ / 1./ / Onde a Mata bem penteada/ do trópico açucareiro,/ o tio-afim, mais a fim/ que outros de sangue e de texto,/ dava ao sobrinho menino/ atenção ...

Gozo os Campos sem Reparar para Eles (16)

Gozo os campos sem reparar para eles./ Perguntas-me por que os gozo./ Porque os gozo, respondo./ Gozar uma flor é estar ao pé dela inconscientemente/ E ter uma noção do seu perfume nas nossas idéias ...

Desce em Folhedos Tenros a Colina (17)

Desce em folhedos tenros a colina:/ Em glaucos, frouxos tons adormecidos,/ Que saram, frescos, meus olhos ardidos,/ Nos quais a chama do furor declina.../ Oh vem, de branco, do imo da folhagem!/ Os r...

Provençal (18)

Em um solar de algum dia/ Cheiinho de alma e valia,/ Foi ali/ Que ao gosto de olhos a vi/ / Como dantes inda vasto/ Agora/ Não tinha pombas nem mel./ E à opulência de outrora,/ Esmoronado e já gasto,...

Pelo Campo Cantando Vai Contente (19)

Pelo campo cantando vai contente/ o Lavrador seguindo o curvo arado:/ e canta na prisão o desgraçado,/ ao triste som de uma áspera corrente./ / Aquele, canta alegre, e docemente,/ nas suaves pensões ...

Cantiga do Campo (20)

Por que andas tu mal commigo?/ Ó minha doce trigueira?/ Quem me dera ser o trigo/ Que, andando, pisas na eira!/ / Quando entre as mais raparigas/ Vaes cantando entre as searas,/ Eu choro ao ouvir-te ...
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