32 Poemas

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O Erro de Querer Ser Igual a Alguém (1)

Aqui, neste misérrimo desterro/ Onde nem desterrado estou, habito,/ Fiel, sem que queira, àquele antigo erro/ Pelo qual sou proscrito./ O erro de querer ser igual a alguém/ Feliz em suma — quanto a s...

No Coração, Talvez (2)

No coração, talvez, ou diga antes:/ Uma ferida rasgada de navalha,/ Por onde vai a vida, tão mal gasta./ Na total consciência nos retalha./ O desejar, o querer, o não bastar,/ Enganada procura da raz...

Anseios (3)

Meu doido coração aonde vais,/ No teu imenso anseio de liberdade?/ Toma cautela com a realidade;/ Meu pobre coração olha cais!/ / Deixa-te estar quietinho! Não amais/ A doce quietação da soledade?/ T...
A Mensageira das Violetas

Errante (4)

Meu coração da cor dos rubros vinhos/ Rasga a mortalha do meu peito brando/ E vai fugindo, e tonto vai andando/ A perder-se nas brumas dos caminhos./ / Meu coração o místico profeta,/ O paladino auda...
A Mensageira das Violetas

Chamar a Si Todo o Céu com um Sorriso (5)

que o meu coração esteja sempre aberto às pequenas/ aves que são os segredos da vida/ o que quer que cantem é melhor do que conhecer/ e se os homens não as ouvem estão velhos/ / que o meu pensamento ...

Confusão (6)

Meu coração/ é teu coração?/ Quem me reflexa pensamentos?/ Quem me presta/ esta paixão/ sem raízes?/ Por que muda meu traje/ de cores?/ Tudo é encruzilhada!/ Por que vês no céu/ tanta estrela?/ Irmão...

Voz Interior (7)

(A João de Deus)/ / Embebido n'um sonho doloroso,/ Que atravessam fantásticos clarões,/ Tropeçando n'um povo de visões,/ Se agita meu pensar tumultuoso.../ / Com um bramir de mar tempestuoso/ Que até...

Meu Coração é um Enorme Estrado (8)

Conclusão a sucata !... Fiz o cálculo, / Saiu-me certo, fui elogiado... / Meu coração é um enorme estrado / Onde se expõe um pequeno animálculo... / / A microscópio de desilusões / Findei, prolixo na...

Solemnia Verba (9)

Disse ao meu coração: Olha por quantos/ Caminhos vãos andámos! Considera/ Agora, desta altura, fria e austera,/ Os ermos que regaram nossos prantos.../ / Pó e cinzas, onde houve flor e encantos!/ E a...

O Meu Coração Desce (10)

O meu coração desce,/ Um balão apagado.../ _ Melhor fora que ardesse,/ Nas trevas, incendiado./ Na bruma fastidienta./ Como um caixão à cova.../ _ Porque antes não rebenta/ De dor violenta e nova?!/ ...

Ah, um Soneto... (11)

Meu coração é um almirante louco / que abandonou a profissão do mar / e que a vai relembrando pouco a pouco / em casa a passear, a passear... / / No movimento (eu mesmo me desloco / nesta cadeira, só...

Fresta (12)

Em meus momentos escuros/ Em que em mim não há ninguém,/ E tudo é névoas e muros/ Quanto a vida dá ou tem,/ / Se, um instante, erguendo a fronte/ De onde em mim sou aterrado,/ Vejo o longínquo horizo...

A Estrada Branca (13)

Atravessei contigo a minuciosa tarde/ deste-me a tua mão, a vida parecia/ difícil de estabelecer acima do muro alto/ / folhas tremiam/ ao invisível peso mais forte/ / Podia morrer por uma só dessas c...

Vendaval (14)

Meu coração quebrou./ Era um cedro perfeito;/ Mas o vento da vida levantou,/ E aquele prumo do céu caiu direito./ / Nos bons tempos felizes/ Em que ele batia, erguido,/ Desde a rama às raízes/ Era se...

O Mesmo (15)

O mesmo Teucro duce et auspice Teucro / É sempre cras — amanhã — que nos faremos ao mar. / / Sossega, coração inútil, sossega! / Sossega, porque nada há que esperar, / E por isso nada que desesperar ...

Coração Inconstante (16)

Coração inconstante, a quem a charneca edifica a cidade/ no meio das velas e das horas,/ tu sobes/ com os choupos até aos lagos:/ aí talha a flauta, de noite,/ o amigo do seu silêncio/ e mostra-o às ...

Voz de Outono (17)

Ouve tu, meu cansado coração,/ O que te diz a voz da Natureza:/ — «Mais te valera, nú e sem defesa,/ Ter nascido em aspérrima soidão,/ / Ter gemido, ainda infante, sobre o chão/ Frio e cruel da mais ...

Um Pássaro a Morrer (18)

Não é vida nem morte, é uma passagem,/ nem antes nem depois: somente agora,/ um minuto nos tantos duma hora./ Uma pausa. Um intervalo. Uma viragem./ / Prisioneira de mim, onde a coragem/ de quebrar a...

Dobre (19)

Peguei no meu coração/ E pu-lo na minha mão/ / Olhei-o como quem olha/ Grãos de areia ou uma folha./ / Olhei-o pávido e absorto/ Como quem sabe estar morto;/ / Com a alma só comovida/ Do sonho e pouc...

A Armadura (20)

Desenganos, traições, combates, sofrimentos,/ Numa vida já longa acumulados, vão/ — Como sobre um paul contínuos sedimentos,/ Pouco a pouco envolvendo em cinza o coração./ / E a cinza com o tempo ati...
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A Vida Oblíqua

Só agora pressenti o oblíquo da vida. Antes só via através de cortes retos e paralelos. Não percebia o sonso traço enviesado. Agora adivinho que a vida é outra. Que viver não é só desenrolar sentimen...

A Esperança da Humanidade

A vida política, porém, veio como um trovão desviar-me dos meus trabalhos. Regressei uma vez mais à multidão. A multidão humana foi a maior lição da minha vida. Posso chegar a ela com a inerente tim...
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