22 Poemas

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Em Todas as Ruas te Encontro (1)

Em todas as ruas te encontro/ em todas as ruas te perco/ conheço tão bem o teu corpo/ sonhei tanto a tua figura/ que é de olhos fechados que eu ando/ a limitar a tua altura/ e bebo a água e sorvo o a...

Volúpia (2)

No divino impudor da mocidade,/ Nesse êxtase pagão que vence a sorte,/ Num frêmito vibrante de ansiedade,/ Dou-te o meu corpo prometido à morte!/ / A sombra entre a mentira e a verdade.../ A nuvem qu...
Charneca em Flor

Corpo (3)

corpo/ que te seja leve o peso das estrelas/ e de tua boca irrompa a inocência nua/ dum lírio cujo caule se estende e/ ramifica para lá dos alicerces da casa/ / abre a janela debruça-te/ deixa que o ...

Mistério (4)

Teu corpo veio a mim. Donde viera?/ Que flor? Que fruto? Pétala indecisa.../ Rima suave: Outono ou Primavera?/ Teu corpo veio como vem a brisa.../ / Rosa de Maio, encastoada em luto:/ O dos meus olho...

Como o Coração (5)

Tudo o que dizemos e fazemos/ passa por esses momentos violentos do corpo,/ onde os desejos vêm beber como os animais cansados/ chegam aos grandes rios originários das nossas fundações./ Que memória ...

De Um e de Dois, de Todos (6)

Sou o espectador o actor e o autor/ Sou a mulher o marido e o filho/ E o primeiro amor e o derradeiro amor/ E o furtivo transeunte e o amor confundido/ / E de novo a mulher seu leito e seu vestido/ E...

Corpo (7)

quantas cidades/ te percorrem passo a passo/ antes de entrar nos mil lares/ que te aguardam/ é mesmo preciso usar sapatos/ porque não gastar na pedra/ uma pele que se lixa longe do/ tacto/ dentro do ...

O Corpo Insurrecto (8)

Sendo com o seu ouro, aurífero,/ o corpo é insurrecto./ Consome-se, combustível,/ no sexo, boca e recto./ / Ainda antes que pegue/ aos cinco sentidos a chama,/ por um aceso acesso/ da imaginação/ ate...

Olhar e Sentir (9)

Olhar e sentir/ por dentro do corpo a massa de que é feito o avesso dele./ Ossos músculos nervos veias/ tudo o que está no corpo e mundo é/ a pintura contém e depõe na tela e/ se acaso aí...

Sim: Existo Dentro do Meu Corpo (10)

Sim: existo dentro do meu corpo./ Não trago o sol nem a lua na algibeira./ Não quero conquistar mundos porque dormi mal,/ Nem almoçar a terra por causa do estômago./ Indiferente?/ Não: natural da ter...

O Corpo (11)

Ante as portas desgarradas, paradoxal/ é a morte: impossível, feito realidade,/ acaso predito. Corpo, deus imortal,/ para sempre cego e mudo, abandona-te ao livre/ / ar. Que te transformes e assemelh...

Só os Lábios Respiram (12)

Só os lábios respiram. Simples gesto vivo,/ exílio do som onde se oculta o pavor da/ palavra, pátria salgada cerrada no vazio/ da casa de velhos deuses ávidos de preces./ Na garra da águia se fecha e...

A Questão deste Corpo (13)

A questão deste corpo está hoje no esquecimento/ dogma sobre ele erguido há muito tempo: é/ um corpo flutuante confuso próximo de/ um conhecimento verbal/ questão em si mesmo questionando teoria/ opi...

A Carne é Crápula (14)

A carne é crápula/ sob o olho cego/ do desejo./ / A carne é trôpega/ se fala sob o pêlo/ de outro desejo alheio./ / A carne é trêmula/ e fracta./ Crina de nervos,/ veneno de víbora,/ a carne é égua/ ...

Como Realiza o Corpo este Exercício da Queda (15)

Como realiza o corpo este exercício/ da queda no súbito conhecimento/ do espanto, quando os olhos estão vencidos,/ cerrados pela transparência e pela luz/ ofuscante da alva? À medida que o corpo/ sec...

A um Corpo Perfeito (16)

Nenhum corpo mais lacteo e sem defeito/ Mais roseo, esculptural e femenino,/ Pode igualar-se ao seu, branco e divino/ Immovel, nù, sobre o comprido leito! -/ / Nada te eguala! O ferro do assassino/ P...

Visão Dezasseis (17)

Deixando nele marcas como se estivesse dentro/ de um círculo de fogo. Ou como um assassino/ emparedado na cal a quem lançassem musgo/ até à morte. Há ali um espaço solto, o sítio onde/ os pássaros de...

No Dia que para Sempre Separámos do Corpo (18)

No dia que para sempre separámos do corpo,/ havia nesse dia sobre o livro de gravuras/ um insecto com os breves sinais de uma aranha./ / Esperávamos um recado que se fez esperar e/ tinha as mãos no r...

A um Nariz Grande (19)

Hoje espero, nariz, de te assoar,/ Se para te chegar a mão me dás,/ Ainda que impossível se me faz/ Chegar a tanto eu como assoar-te,/ Porque é chegar às nuvens o chegar-te./ Das musas a que for mais...

Tenho um Corpo a Sentir o que é de Todos (20)

Tenho um corpo a sentir o que é de todos,/ um espelho aonde não aparece tudo; nem a mão que/ vai ao sonho tornando menor o ultraje da criança/ dividida com fantasmas de adultos. Ali, só permanece/ a ...
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