25 Poemas

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O Beijo Mata o Desejo (1)

MOTE/ / «Não te beijo e tenho ensejo/ Para um beijo te roubar;/ O beijo mata o desejo/ E eu quero-te desejar.»/ / GLOSAS/ Porque te amo de verdade,/ 'stou louco por dar-te um beijo,/ Mas contra a tua...

Desejo Indomável (2)

Como corre a gazela/ pela sombra dos bosques,/ enlouquecida pelo próprio perfume,/ assim corro eu, enlouquecido,/ nesta noite do coração de maio/ aquecida pela brisa do Sul./ / Perdi o caminho/ e err...

Desejos Vãos (3)

Eu queria ser o Mar de altivo porte/ Que ri e canta, a vastidão imensa!/ Eu queria ser a Pedra que não pensa,/ A pedra do caminho, rude e forte!/ / Eu queria ser o Sol, a luz imensa, / O bem do que é...
Livro de Mágoas

Ideal (4)

Aquela, que eu adoro, não é feita/ De lírios nem de rosas purpurinas,/ Não tem as formas languidas, divinas/ Da antiga Vénus de cintura estreita.../ / Não é a Circe, cuja mão suspeita/ Compõe filtros...

O Andaime (5)

O tempo que eu hei sonhado/ Quantos anos foi de vida!/ Ah, quanto do meu passado/ Foi só a vida mentida/ De um futuro imaginado!/ / Aqui à beira do rio/ Sossego sem ter razão./ Este seu correr vazio/...

Paisagem (6)

Desejei-te pinheiro à beira-mar/ para fixar o teu perfil exacto./ / Desejei-te encerrada num retrato/ para poder-te contemplar./ / Desejei que tu fosses sombra e folhas/ no limite sereno dessa praia....

Aves (7)

ter-te suspensa/ do meu lume/ na fogosa boca/ o ardume/ a explodir/ tu/ ardida e intacta/ sonho e nuvem/ voz exacta/ um soltar/ de aves/ em pânico/ na relva do olhar/ / Fernando Namora, in 'Nome P...

no obscuro desejo (8)

no obscuro desejo,/ no incerto silêncio,/ nos vagares repetidos,/ na súbita canção/ / que nasce como a sombra/ do dia agonizante,/ quando empalidece/ o exterior das coisas,/ / e quando não se sabe/ s...

Calmaria (9)

Nada!/ Horas e horas neste ponto morto/ Onde caiu agora a minha vida.../ Nem um desejo, ao menos!/ Só instintos pequenos:/ Apetite de cama e de comida!/ / Nem sequer ler um livro/ Ou conversar comigo...

Clandestinidade (10)

Secreto me acho/ e secreto me sentes/ quando/ secreto me julgas,/ Impuro me reconheço/ quando/ o nosso silêncio/ são vozes turbas./ Dúbio é o desejo/ quando/ não é transparente/ a água em que se deit...

Dorme Enquanto Eu Velo... (11)

Dorme enquanto eu velo.../ Deixa-me sonhar.../ Nada em mim é risonho./ Quero-te para sonho,/ Não para te amar./ / A tua carne calma/ É fria em meu querer./ Os meus desejos são cansaços./ Nem quero te...

Saudade (12)

Segue-me noite e dia o teu desejo!.../ Oiço a tua voz rúbida e cantante/ Suplicar-me a carícia do meu beijo,/ numa teima exigente e perturbante!/ / E o meu corpo vencido, dominado,/ vai tombar doloro...

Desejo (13)

Oh! quem nos teus braços pudera ditoso/ No mundo viver,/ Do mundo esquecido no lânguido gozo/ D'infindo prazer./ / Sentir os teus olhos serenos, em calma,/ Falando d'além,/ D'além! duma vida que sonh...

Olinda (14)

(Do alto do mosteiro, um frade a vê)/ / De limpeza e claridade/ é a paisagem defronte./ Tão limpa que se dissolve/ a linha do horizonte./ / As paisagens muito claras/ não são paisagens, são len...

Pede o Desejo, Dama, que Vos Veja (15)

Pede o desejo, Dama, que vos veja:/ Não entende o que pede; está enganado./ É este amor tão fino e tão delgado,/ Que quem o tem não sabe o que deseja./ / Não há cousa, a qual natural seja,/ Que não q...

Lúbrica (16)

Quando a vejo, de tarde, na alameda,/ Arrastando com ar de antiga fada,/ Pela rama da murta despontada,/ A saia transparente de alva seda,/ E medito no gozo que promete/ A sua boca fresca, pequenina,...

Profecia (17)

Nem me disseram ainda/ para o que vim./ Se logro ou verdade,/ se filho amado ou rejeitado./ Mas sei/ que quando cheguei/ os meus olhos viram tudo/ e tontos de gula ou espanto/ renegaram tudo/ — e no ...

Manhã de Sol com Azulejos (18)

Tudo se veste da cor de teu vestido azul/ Tudo — menos a dona do vestido:/ meus olhos te passeiam nua/ pela grama do campo de golfe/ / Uma curva e eis-nos diante de meu coração/ / Não amiga não tem...

Lembra-te que há um Querer Doloroso (19)

Lembra-te que há um querer doloroso/ E de fastio a que chamam de amor./ E outro de tulipas e de espelhos/ Licencioso, indigno, a que chamam desejo./ Há o caminhar um descaminho, um arrastar-se/ Em di...

Rosas Vermelhas (20)

Que estranha fantasia!/ Comprei rosas encarnadas/ às molhadas/ dum vermelho estridente,/ tão rubras como a febre que eu trazia.../ - E vim deitá-las contente/ na minha cama vazia!/ / Toda a noite me ...
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