13 Poemas



Explicação da Eternidade (1)

devagar, o tempo transforma tudo em tempo./ o ódio transforma-se em tempo, o amor/ transforma-se em tempo, a dor transforma-se/ em tempo./ / os assuntos que julgámos mais profundos,/ mais impossíveis...
A Casa, A Escuridão

Quando (2)

Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta/ Continuará o jardim, o céu e o mar,/ E como hoje igualmente hão-de bailar/ As quatro estações à minha porta./ / Outros em Abril passarão no pomar/ Em que ...

Os Instantes Superiores da Alma (3)

Os instantes Superiores da Alma/ Acontecem-lhe - na solidão -/ Quando o amigo - e a ocasião Terrena/ Se retiram para muito longe -/ / Ou quando - Ela Própria - subiu/ A um plano tão alto/ Para Reconh...

Algumas Coisas (4)

A morte e a vida morrem/ e sob a sua eternidade fica/ só a memória do esquecimento de tudo;/ também o silêncio de aquele que fala se calará./ / Quem fala de estas/ coisas e de falar de elas/ foge par...

Não te Arruínes, Alma, Enriquece (5)

Centro da minha terra pecadora,/ alma gasta da própria rebeldia,/ porque tremes lá dentro se por fora/ vais caiando as paredes de alegria?/ Para quê tanto luxo na morada/ arruinada, arrendada a curto...

Da Realidade (6)

Que renda fez a tarde no jardim,/ Que há cedros que parecem de enxoval?/ Como é difícil ver o natural/ Quando a hora não quer!/ Ah! não digas que não ao que os teus olhos/ Colham nos dias de irrealid...

Eternidade (7)

Vens a mim/ pequeno como um deus,/ frágil como a terra,/ morto como o amor,/ falso como a luz,/ e eu recebo-te/ para a invenção da minha grandeza,/ para rodeio da minha esperança/ e pálpebras de astr...

Eternidade (8)

A minha eternidade neste mundo/ Sejam vinte anos só, depois da morte!/ O vento, eles passados, que, enfim, corte/ A flor que no jardim plantei tão fundo./ / As minhas cartas leia-as quem quiser!/ Tor...

Seria Eterno (9)

Seria eterno, se não fosse entrando/ por aquele país de solidão,/ aonde ver a luz alarga, quando / e alarga, à volta, a vinda do verão./ / Seria eterno. Assim somente o brando/ movimento de entrar se...

Ignotus (10)

(A Salomão Sáragga)/ / Onde te escondes? Eis que em vão clamamos,/ Suspirando e erguendo as mãos em vão!/ Já a voz enrouquece e o coração/ Está cansado — e já desesperamos.../ / Por céu, por mar e te...

Homens do Presente (11)

Homens do presente, nada no passado,/ Antes de serdes as coisas que vemos,/ Quem podia ter sabido ou pensado/ Que seríeis hoje aquilo que temos?/ Ah, passantes pela mesma via,/ Quem pôde pensar-vos a...

Para Todo o Sempre (12)

O Poeta morre,/ mas não cessa de escrever./ / Enquanto escreve,/ vive/ ressuscitando fugidias horas/ mudadas em auroras.../ / Uma pequenina flor,/ pisada por quem passa,/ é agora/ um milagre de cor,/...

Quia Aeternus (13)

(A Joaquim de Araújo)/ / Não morreste, por mais que o brade à gente/ Uma orgulhosa e vã filosofia.../ Não se sacode assim tão facilmente/ O jugo da divina tirania!/ / Clamam em vão, e esse triunfo in...


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