11 Poemas



Guerra (1)

Tanto é o sangue/ que os rios desistem de seu ritmo,/ e o oceano delira/ e rejeita as espumas vermelhas./ / Tanto é o sangue/ que até a lua se levanta horrível,/ e erra nos lugares serenos,/ sonâmbul...

As Balas (2)

Dá o Outono as uvas e o vinho/ Dos olivais o azeite nos é dado/ Dá a cama e a mesa o verde pinho/ As balas dão o sangue derramado/ / Dá a chuva o Inverno criador/ As sementes da sulcos o arado/ No la...

A Guerra que Aflige com seus Esquadrões (3)

A guerra, que aflige com os seus esquadrões o Mundo,/ É o tipo perfeito do erro da filosofia./ / A guerra, como tudo humano, quer alterar./ Mas a guerra, mais do que tudo, quer alterar e alterar muit...

Poema da Terra Adubada (4)

Por detrás das árvores não se escondem faunos, não./ Por detrás das árvores escondem-se os soldados/ com granadas de mão./ / As árvores são belas com os troncos dourados./ São boas e largas para esco...

Os Homens Gloriosos (5)

Sentei-me sem perguntas à beira da terra,/ e ouvi narrarem-se casualmente os que passavam./ Tenho a garganta amarga e os olhos doloridos:/ deixai-me esquecer o tempo,/ inclinar nas mãos a testa desen...

Ode Marcial (6)

Inúmero rio sem água — só gente e coisa, / Pavorosamente sem água!/ / Soam tambores longínquos no meu ouvido / E eu não sei se vejo o rio se ouço os tambores, / Como se não pudesse ouvir e ver ao me...

Tomamos a Vila depois de um Intenso Bombardeamento (7)

A criança loura/ Jaz no meio da rua./ Tem as tripas de fora/ E por uma corda sua/ Um comboio que ignora./ / A cara está um feixe/ De sangue e de nada./ Luz um pequeno peixe/ — Dos que bóiam nas banhe...

A Guerra (8)

E tropeçavam todos nalgum vulto,/ quantos iam, febris, para morrer:/ era o passado, o seu passado — um vulto/ de esfinge ou de mulher./ / Caíam como heróis os que não o eram,/ pesados de infortúnio e...

Guerra (9)

São meus filhos. Gerei-os no meu ventre./ Via-os chegar, às tardes, comovidos,/ nupciais e trementes/ do enlace da Vida com os sentidos./ / Estiveram no meu colo, sonolentos./ Contei-lhes muitas lend...

A Guerra (10)

Musa, pois cuidas que é sal/ o fel de autores perversos,/ e o mundo levas a mal,/ porque leste quatro versos/ de Horácio e de Juvenal,/ / Agora os verás queimar,/ já que em vão os fecho e os sumo;/ e...

Pedra Tumular (11)

A minha geração fugiu à guerra,/ Por isso a paz que traz não tem sentido:/ É feita de ignorância e de castigo,/ Tão rígida e tão fria como a pedra./ / Desfazem-se-lhe as mãos em gestos frágeis,/ Duma...


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O Segredo dos Dias

Quando há muito para fazer, que é sempre, o melhor é fazer como se nada houvesse para fazer e deixar tudo para o pouco tempo – que infelizmente tem de ser medido – que resta para fazê-lo. Nos dias d...

Os Ideais São Superiores às Crenças

Sou, simplesmente, uma pessoa com algumas ideias que lhe têm servido de razoável governo em todas as circunstâncias, boas ou más, da vida. Costuma-se dizer que o melhor partido para um crente é compo...
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