73 Poemas

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Mãe, Eu Quero Ir-me Embora (21)

Mãe, eu quero ir-me embora - a vida não é nada/ daquilo que disseste quando os meus seios começaram/ a crescer. O amor foi tão parco, a solidão tão grande,/ murcharam tão depressa as rosas que me der...

Pequena Elegia de Setembro (22)

Não sei como vieste,/ mas deve haver um caminho/ para regressar da morte./ / Estás sentada no jardim,/ as mãos no regaço cheias de doçura,/ os olhos pousados nas últimas rosas/ dos grandes e calmos d...

Vem Ver a Minha Mãe (23)

Está junto das coisas que bordaram/ com ela os dias que supôs mais belos/ e são a fonte de onde lhe começa/ o branco tempo dos cabelos./ / Mal pousa a vida nos seus dedos gastos/ do sonho que pousou ...

Mãe (24)

I/ / Dantes, quando a deixava,/ As férias já no fim,/ Ela vinha à janela/ Despedir-se de mim./ / Depois, quando na estrada,/ Olhava para trás,/ Deitava-me ainda a benção/ Para que eu fosse em paz./ /...

Minha Mãe, Minha Mãe! (25)

Minha mãe, minha mãe! ai que saudade imensa,/ Do tempo em que ajoelhava, orando, ao pé de ti./ Caía mansa a noite; e andorinhas aos pares/ Cruzavam-se voando em torno dos seus lares,/ Suspensos do be...

Mãe, Eu Estou tão Cansado (26)

Mãe, eu estou tão cansado e sinto nos ossos/ o chamamento da água, o chamamento sibilino/ que se confunde com o ranger das portas das casas/ onde jamais voltarei: venha veloz o sono capaz/ de me resg...

Mãe (27)

mãe/ terminou o tempo/ de sorrir/ desculpa-me a morte/ das plantas/ / tatuei a tua antiga/ imagem loura/ em todos os pulsos/ que anjos inclinam de existires/ / perdi-me noite na planície/ branca/ sob...

Mãe! (28)

Mãe! a oleografia está a entornar o amarelo do Deserto por cima da/ minha vida. O amarelo do Deserto é mais comprido do que um dia todo!/ Mãe! eu queria ser o árabe! Eu queria raptar a menina loira!/...

Mãe... (29)

Mãe — que adormente este viver dorido,/ E me vele esta noite de tal frio,/ E com as mãos piedosas ate o fio/ Do meu pobre existir, meio partido.../ / Que me leve consigo, adormecido,/ Ao passar pelo ...

Alguém (30)

Para alguém sou o lírio entre os abrolhos,/ E tenho as formas ideais de Cristo;/ Para alguém sou a vida e a luz dos olhos,/ E, se na Terra existe, é porque existo./ / Esse alguém, que prefere ao namo...

Mater (31)

Tu, grande Mãe!... do amor de teus filhos escrava,/ Para teus filhos és, no caminho da vida,/ Como a faixa de luz que o povo hebreu guiava/ À longe Terra Prometida./ / Jorra de teu olhar um rio lumin...

Pecado Original (32)

Sim, Mãe! sim, quanta vez te vi chorar...,/ Sem desistir de te fazer sofrer!/ Gozava então nem sei que atroz prazer/ De te arranhar no peito... e me arranhar./ / Mas quis lutar comigo, Mãe! lutar/ Co...

Mãe e Filho (33)

Primícias do meu amor!/ Meu filhinho do meu seio/ Tenro fruto que à luz veio/ Como à luz da aurora a flor!/ / Na tua face inocente,/ De teu pai a face beijo,/ E em teus olhos, filho, vejo/ Como Deus ...

Carta à Minha Filha (34)

Lembras-te de dizer que a vida era uma fila?/ Eras pequena e o cabelo mais claro,/ mas os olhos iguais. Na metáfora dada/ pela infância, perguntavas do espanto/ da morte e do nascer, e de quem se seg...

Fala de Mãe e Filho (35)

«Meu filho:/ onde vais/ que tens do rio o caminhar?»/ / Não espreites a estrada, mãe,/ que eu nasci/ onde o tempo se despenhou./ / «Meu filho:/ onde te posso lembrar/ se apenas te dei nome para te em...
Tradutor de Chuvas

Abre-me as Portas, Mãe (36)

Abre-me as portas, mãe, enquanto as estrelas/ buscam em mim agora a treva infinda,/ sem luz alguma no meu olhar a vê-las/ nessa cegueira a ser da altura vinda./ Assim, mãe, invado tua noite, a sabê-l...

Mães de Portugal (37)

Ó Mães de Portugal comovedoras,/ Com Meninos Jesus de encontro ao peito,/ Iguais na devoção e amor perfeito/ Aos painéis onde estão Nossas Senhoras!/ / Ó Virgem Mãe, qual se tu própria foras,/ Surgem...

Mãe que Levei à Terra (38)

Mãe que levei à terra/ como me trouxeste no ventre,/ que farei destas tuas artérias?/ Que medula, placenta,/ que lágrimas unem aos teus/ estes ossos? Em que difere/ a minha da tua carne?/ / Mãe que l...

Intervalo (39)

Quando nasci, entre rendas e afagos egoístas,/ os rouxinóis, pela noite, namoravam a Primavera... / / Os sinos ficaram tolhidos e tristes/ Como se os meus gritos lhes pesassem na alma./ / Minha Mãe, ...

Quem Rasgou os Meus Lençóis de Linho (40)

Quem poluiu, quem rasgou os meus lençóis de linho,/ Onde esperei morrer, meus tão castos lençóis?/ Do meu jardim exíguo os altos girassóis/ Quem foi que os arrancou e lançou no caminho?/ / Quem quebr...
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