117 Poemas

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Mãe (1)

Mãe:/ Que desgraça na vida aconteceu,/ Que ficaste insensível e gelada?/ Que todo o teu perfil se endureceu/ Numa linha severa e desenhada?/ / Como as estátuas, que são gente nossa/ Cansada de palavr...

soneto do amor e da morte (2)

quando eu morrer murmura esta canção/ que escrevo para ti. quando eu morrer/ fica junto de mim, não queiras ver/ as aves pardas do anoitecer/ a revoar na minha solidão./ / quando eu morrer segura a m...

A Morte Chega Cedo (3)

A morte chega cedo,/ Pois breve é toda vida/ O instante é o arremedo/ De uma coisa perdida./ / O amor foi começado,/ O ideal não acabou,/ E quem tenha alcançado/ Não sabe o que alcançou./ / E tudo is...

Quando Vier a Primavera (4)

Quando vier a Primavera,/ Se eu já estiver morto,/ As flores florirão da mesma maneira/ E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada./ A realidade não precisa de mim./ / Sinto uma ale...

Na Mão de Deus (5)

Na mão de Deus, na sua mão direita,/ Descansou afinal meu coração./ Do palácio encantado da Ilusão/ Desci a passo e passo a escada estreita./ / Como as flores mortais, com que se enfeita/ A ignorânci...

Horário do Fim (6)

morre-se nada/ quando chega a vez/ / é só um solavanco/ na estrada por onde já não vamos/ / morre-se tudo/ quando não é o justo momento/ / e não é nunca/ esse momento/ / Mia Couto, in Raiz de Orv...
Raiz de Orvalho e Outros Poemas

Se Depois de Eu Morrer, Quiserem Escrever a Minha Biografia (7)

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,/ Não há nada mais simples/ Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte./ Entre uma e outra cousa todos os dias são meus./ /...

Com os Mortos (8)

Os que amei, onde estão? Idos, dispersos,/ arrastados no giro dos tufões,/ Levados, como em sonho, entre visões,/ Na fuga, no ruir dos universos.../ / E eu mesmo, com os pés também imersos/ Na corren...

Não Choreis os Mortos (9)

Não choreis nunca os mortos esquecidos/ Na funda escuridão das sepulturas./ Deixai crescer, à solta, as ervas duras/ Sobre os seus corpos vãos adormecidos./ / E quando, à tarde, o Sol, entre brasidos...

na hora de pôr a mesa, éramos cinco (10)

na hora de pôr a mesa, éramos cinco:/ o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs/ e eu. depois, a minha irmã mais velha/ casou-se. depois, a minha irmã mais nova/ casou-se. depois, o meu pai morreu. hoj...
A Criança em Ruínas

Se Eu Morrer Novo (11)

Se eu morrer novo,/ Sem poder publicar livro nenhum,/ Sem ver a cara que têm os meus versos em letra impressa,/ Peço que, se se quiserem ralar por minha causa,/ Que não se ralem./ Se assim aconteceu,...

Canção Póstuma (12)

Fiz uma canção para dar-te;/ porém tu já estavas morrendo./ A Morte é um poderoso vento./ E é um suspiro tão tímido, a Arte.../ / É um suspiro tímido e breve/ como o da respiração diária./ Choro de p...

A Morte o Amor a Vida (13)

Julguei que podia quebrar a profundeza a/ [imensidade/ Com o meu desgosto nu sem contacto sem eco/ Estendi-me na minha prisão de portas ...

Quanto Morre um Homem (14)

Quando eu um dia decisivamente voltar a face/ daquelas coisas que só de perfil contemplei/ quem procurará nelas as linhas do teu rosto?/ Quem dará o teu nome a todas as ruas/ que encontrar no coração...

Vida Sempre (15)

Entre a vida e a morte há apenas/ o simples fenómeno/ de uma subtil transformação. A morte/ não é morte da vida./ A morte não é inação, inutilidade./ A morte é apenas a face obscura,/ mínima, em gest...

O Noivado do Sepulcro (16)

Vai alta a lua! na mansão da morte/ Já meia-noite com vagar soou;/ Que paz tranquila; dos vaivéns da sorte/ Só tem descanso quem ali baixou./ / Que paz tranquila!... mas eis longe, ao longe/ Funérea ...

Soneto Ditado na Agonia (17)

Já Bocage não sou!... À cova escura / Meu estro vai parar desfeito em vento... / Eu aos Céus ultrajei! O meu tormento / Leve me torne sempre a terra dura;/ / Conheço agora já quão vã figura, / Em pro...

Amar quem Está tão Próximo da Morte (18)

Esta estação do ano podes vê-la/ em mim: folhas caindo ou já caídas;/ ramos que o frémito do frio gela;/ árvore em ruína, aves despedidas./ E podes ver em mim, crepuscular,/ o dia que se extingue sob...

Se Eu Agora Inventasse o Mundo (19)

Se eu agora inventasse o mundo/ criaria a luz da manhã já explicada/ sem o luto que pesa/ na sombra dos homens/ - conspiração da noite/ com as pedras./ / Luz que o cheiro das ervas da madrugada/ apro...

Hino à Morte (20)

Tenho às vezes sentido o chocar dos teus ossos/ E o vento da tua asa os meus lábios roçar;/ Mas da tua presença o rasto de destroços/ Nunca de susto fez meu coração parar./ / Nunca, espanto ou receio...
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São Demasiado Pobres os Nossos Ricos

A maior desgraça de uma nação pobre é que, em vez de produzir riqueza, produz ricos. Mas ricos sem riqueza. Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados. Rico é quem possui ...

O Inseguro

A eterna canção: Que fiz durante o ano, que deixei de fazer, por que perdi tanto tempo cuidando de aproveitá-lo? Ah, se eu tivesse sido menos apressado! Se parasse meia hora por dia para não fazer ab...
Inspirações

Desejo sem Limites

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