117 Poemas

<< >>

Encantamento (21)

Quantas vezes, ficava a olhar, a olhar/ A tua dôce e angelica Figura,/ Esquecido, embebido num luar,/ Num enlêvo perfeito e graça pura!/ / E á força de sorrir, de me encantar,/ Deante de ti, mimosa C...

À Morte Peço a Paz Farto de Tudo (22)

À morte peço a paz farto de tudo,/ de ver talento a mendigar o pão,/ e o oco abonitado e farfalhudo,/ e a pura fé rasgada na traição,/ e galas de ouro es despejados bustos,/ e a virgindade à bruta re...

Amar quem Está tão Próximo da Morte (23)

Esta estação do ano podes vê-la/ em mim: folhas caindo ou já caídas;/ ramos que o frémito do frio gela;/ árvore em ruína, aves despedidas./ E podes ver em mim, crepuscular,/ o dia que se extingue sob...

Hino à Morte (24)

Tenho às vezes sentido o chocar dos teus ossos/ E o vento da tua asa os meus lábios roçar;/ Mas da tua presença o rasto de destroços/ Nunca de susto fez meu coração parar./ / Nunca, espanto ou receio...

Fui Pedir um Sonho ao Jardim dos Mortos (25)

Fui pedir um sonho ao jardim dos mortos./ Quis pedi-lo, aos vivos. Disseram-me que não./ Os mortos não sabem, lá onde é que estão,/ Que neles se enfeitam os meus braços tortos./ / Os mortos dormiam.....

O Amor e a Morte (26)

Canção cruel / / Corpo de ânsia. / Eu sonhei que te prostrava, / E te enleava / Aos meus músculos! / / Olhos de êxtase, / Eu sonhei que em vós bebia / Melancolia / De há séculos! / / Boca sôfrega, / ...

O que Diz a Morte (27)

Deixai-os vir a mim, os que lidaram;/ Deixai-os vir a mim, os que padecem;/ E os que cheios de mágoa e tédio encaram/ As próprias obras vãs, de que escarnecem.../ / Em mim, os Sofrimentos que não sar...

Epitáfio (28)

Ainda correm lágrimas pelos/ teus grisalhos, tristes cabelos,/ na terra vã desintegrados,/ em pequenas flores tornados./ / Todos os dias estás viva,/ na soledade pensativa,/ ó simples alma grave e pu...

Tu? Eu? (29)

Não morres satisfeito./ A vida te viveu/ sem que vivesses nela./ E não te convenceu/ nem deu qualquer motivo/ para haver o ser vivo./ / A vida te venceu/ em luta desigual./ Era todo o passado/ presen...

Mors - Amor (30)

Esse negro corcel, cujas passadas/ Escuto em sonhos, quando a sombra desce,/ E, passando a galope, me aparece/ Da noite nas fantásticas estradas,/ / Donde vem ele? Que regiões sagradas/ E terríveis c...

O Que Eu Sou (31)

Nocturna e dubia luz/ Meu sêr esboça e tudo quanto existe.../ Sou, num alto de monte, negra cruz,/ Onde bate o luar em noite triste.../ / Sou o espirito triste que murmura/ Neste silencio lúgubre das...

Trágica Recordação (32)

Meu Deus! meu Deus! quando me lembro agora/ De o ver brincar, e avisto novamente/ Seu pequenino Vulto transcendente,/ Mas tão perfeito e vivo como outrora!/ / Julgo que ele ainda vive; e que, lá fóra...

Mãe que Levei à Terra (33)

Mãe que levei à terra/ como me trouxeste no ventre,/ que farei destas tuas artérias?/ Que medula, placenta,/ que lágrimas unem aos teus/ estes ossos? Em que difere/ a minha da tua carne?/ / Mãe que l...

Elogio da Morte (34)

I/ / Altas horas da noite, o Inconsciente/ Sacode-me com força, e acordo em susto./ Como se o esmagassem de repente,/ Assim me pára o coração robusto./ / Não que de larvas me povôe a mente/ Esse vácu...

A Tua Morte em Mim (35)

À memória de Raquel Moacir/ / A tua morte é sempre nova em mim./ Não amadurece. Não tem fim./ Se ergo os olhos dum livro, de repente/ tu morreste./ Acordo, e tu morreste./ Sempre, cada dia, c...

Ah Deixem-me Dormir! (36)

O Poeta/ / Olá, bom velho! é aqui o Hotel da Cova,/ Tens algum quarto ainda para alugar?/ Simples que seja, basta-me uma alcova.../ (Como eu estou molhado! é de chorar...)/ / / O povo/ / ...

Creio que Irei Morrer (37)

Creio que irei morrer./ Mas o sentido de morrer não me move,/ Lembro-me que morrer não deve ter sentido./ Isto de viver e morrer são classificações como as das plantas./ Que folhas ou que flores têm ...

Doente (38)

Que negro mal o meu! estou cada vez mais rouco!/ Fogem de mim com asco as virgens d'olhar cálido.../ E os velhos, quando passo, vendo-me tão pálido,/ Comentam entre si: - coitado, está por pouco!.../...

Em Memória de Angélica (39)

Quantas vidas possíveis já descansam/ Nesta bem pobre e diminuta morte,/ Quantas vidas possíveis que outra sorte/ Daria ao esquecimento ou à lembrança!/ Quando eu morrer, morrerá um passado;/ Com est...

Do Amor e da Morte (40)

Temos lábios tenros para o amor/ dentes afiados para a morte/ / Concebemos filhos para o amor/ para a guerra os mandamos para a morte/ / Levantamos casas para o amor/ cidades bombardeamos para a mort...
<< >>

Facebook

.
© Copyright 2003-2017 Citador - Todos os direitos reservados | SOBRE O SITE