110 Poemas

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Quando Vier a Primavera (1)

Quando vier a Primavera,/ Se eu já estiver morto,/ As flores florirão da mesma maneira/ E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada./ A realidade não precisa de mim./ / Sinto uma ale...

Velhas Árvores (2)

Olha estas velhas árvores, mais belas/ Do que as árvores novas, mais amigas:/ Tanto mais belas quanto mais antigas,/ Vencedoras da idade e das procelas.../ / O homem, a fera, e o inseto, à sombra del...

Praia (3)

Minha praia ardorosa e solitária/ aberta ao grande vento e ao largo mar/ tu me viste querer-lhe com a doce/ piedade das sombras do luar/ / teus cabos se adiantam como braços/ para abraçar as ninfas r...

Quando Está Frio no Tempo do Frio (4)

Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse agradável,/ Porque para o meu ser adequado à existência das cousas/ O natural é o agradável só por ser natural./ / Aceito as dificuldad...

Pelo Tejo Vai-se para o Mundo (5)

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,/ Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia/ Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia./ O Tejo tem grandes...

No Entardecer dos Dias de Verão (6)

No entardecer dos dias de Verão, às vezes,/ Ainda que não haja brisa nenhuma, parece/ Que passa, um momento, uma leve brisa.../ Mas as árvores permanecem imóveis/ Em todas as folhas das suas folhas/ ...

As Rosas (7)

Rosas que desabrochais,/ Como os primeiros amores,/ Aos suaves resplendores/ Matinais;/ / Em vão ostentais, em vão,/ A vossa graça suprema;/ De pouco vale; é o diadema/ Da ilusão....

Árvores do Alentejo (8)

Ao Prof Guido Battelli/ / Horas mortas... Curvada aos pés do Monte/ A planície é um brasido... e, torturadas,/ As árvores sangrentas, revoltadas,/ Gritam a Deus a bênção duma fonte!/ / E quando, manh...
Charneca em Flor

Querem uma Luz Melhor que a do Sol! (9)

AH! QUEREM uma luz melhor que/ a do Sol!/ Querem prados mais verdes do que estes!/ Querem flores mais belas do que estas/ que vejo!/ A mim este Sol, estes prados, estas flores contentam-me./ Mas, se ...

Em uma Tarde de Outono (10)

Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas/ Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto./ Outono... Rodopiando, as folhas amarelas/ Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto.../ / Por que, be...

Manhã de Inverno (11)

Coroada de névoas, surge a aurora/ Por detrás das montanhas do oriente;/ Vê-se um resto de sono e de preguiça,/ Nos olhos da fantástica indolente./ / Névoas enchem de um lado e de outro os morros/ Tr...

Eu Me Ausento de Ti, Meu Pátrio Sado (12)

Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado,/ Mansa corrente deleitos, amena, / Em cuja praia o nome de Filena/ Mil vezes tenho escrito, e mil beijado: / / Nunca mais me verás entre o meu gado / Soprando a ...

Terra (13)

Ó Terra, amável mãe da Natureza!/ Fecunda em produções de imensos entes,/ Criadora das próvidas sementes/ Que abastam toda a tua redondeza!/ / Teu amor sem igual, sem par fineza,/ Teus maternais efei...

Primavera (14)

Ah! quem nos dera que isto, como outrora,/ Inda nos comovesse! Ah! quem nos dera/ Que inda juntos pudéssemos agora/ Ver o desabrochar da primavera!/ / Saíamos com os pássaros e a aurora./ E, no chão,...

Entre o Luar e a Folhagem (15)

Entre o luar e a folhagem,/ Entre o sossego e o arvoredo,/ Entre o ser noite e haver aragem/ Passa um segredo./ Segue-o minha alma na passagem./ / Tênue lembrança ou saudade,/ Princípio ou fim do que...

Flor que não Dura (16)

Flor que não dura/ Mais do que a sombra dum momento/ Tua frescura/ Persiste no meu pensamento./ / Não te perdi/ No que sou eu,/ Só nunca mais, ó flor, te vi/ Onde não sou senão a terra e o céu./ /

Se às Vezes Digo que as Flores Sorriem (17)

Se às vezes digo que as flores sorriem/ E se eu disser que os rios cantam,/ Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores/ E cantos no correr dos rios.../ É porque assim faço mais sentir aos home...

O Meu Olhar Azul como o Céu (18)

O meu olhar azul como o céu/ É calmo como a água ao sol./ É assim, azul e calmo,/ Porque não interroga nem se espanta .../ Se eu interrogasse e me espantasse/ Não nasciam flores novas nos prados/ Nem...

O Jardim (19)

Consideremos o jardim, mundo de pequenas coisas,/ calhaus, pétalas, folhas, dedos, línguas, sementes./ Sequências de convergências e divergências,/ ordem e dispersões, transparência de estruturas,/ p...

Ao Vento (20)

O vento passa a rir, torna a passar,/ Em gargalhadas ásperas de demente;/ E esta minh’alma trágica e doente/ Não sabe se há-de rir, se há-de chorar!/ / Vento de voz tristonha, voz plangente,/ Vento q...
Livro de Mágoas
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As Melhores Coisas da Vida São à Borla

As melhores coisas da vida são à borla. Vivemos em abundância. Não parece, pois há muito tempo que se dá mais valor à matéria, aos bens que possuímos e às contas que temos no banco do que àquil...

Possuídos pelo Demónio

A invenção do demónio. Se estamos possuídos pelo demónio, não pode ser só por um, porque então viveríamos, pelo menos na terra, em paz, como se fosse com Deus, em união, sem contradições, sem reflexã...
Inspirações

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