110 Poemas

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Vida (21)

Choveu! E logo da terra humosa/ Irrompe o campo das liliáceas./ Foi bem fecunda, a estação pluviosa!/ Que vigor no campo das liliáceas!/ Calquem. Recalquem, não o afogam./ Deixem. Não calquem. Que tu...

Outunal (22)

Caem as folhas mortas sobre o lago;/ Na penumbra outonal, não sei quem tece/ As rendas do silêncio... Olha, anoitece!/ - Brumas longínquas do País do Vago.../ / Veludos a ondear... Mistério mago.../ ...
Charneca em Flor

A Neve (23)

A NEVE PÔS uma toalha calada sobre tudo./ Não se sente senão o que se passa dentro de casa./ Embrulho-me num cobertor e não penso sequer em pensar./ Sinto um gozo de animal e vagamente penso,/ E ador...

Do Vale à Montanha (24)

Do vale à montanha,/ Da montanha ao monte, cavalo de sombra,/ Cavaleiro monge,/ Por casas, por prados,/ Por Quinta e por fonte,/ Caminhais aliados./ / Do vale à montanha,/ Da montanha ao monte,/ Cava...

A Poezia do Outomno (25)

Noitinha. O sol, qual brigue em chammas, morre/ Nos longes d'agoa... Ó tardes de novena!/ Tardes de sonho em que a poezia escorre/ E os bardos, a sonhar, molham a penna!/ / Ao longe, os rios de agoas...

Mistério (26)

Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,/ Dizendo coisas que ninguém entende!/ Da tua cantilena se desprende/ Um sonho de magia e de pecados./ / Dos teus pálidos dedos delicados/ Uma alada canção palpita ...
Charneca em Flor

O que Nós Vemos das Cousas São as Cousas (27)

O que nós vemos das cousas são as cousas./ Por que veríamos nós uma cousa se houvesse outra?/ Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos/ Se ver e ouvir são ver e ouvir?/ O essencial é saber ver,/ ...

O quê? Valho Mais que uma Flor (28)

O quê? Valho mais que uma flor/ Porque ela não sabe que tem cor e eu sei,/ Porque ela não sabe que tem perfume e eu sei,/ Porque ela não tem consciência de mim e eu tenho consciência dela?/ Mas o que...

Correspondências (29)

A natureza é um templo augusto, singular,/ Que a gente ouve exprimir em língua misteriosa;/ Um bosque simbolista onde a árvore frondosa/ Vê passar os mortais, e segue-os com o olhar./ / Como distinto...

Passa uma Borboleta por Diante de Mim (30)

Passa uma borboleta por diante de mim/ E pela primeira vez no Universo eu reparo/ Que as borboletas não têm cor nem movimento,/ Assim como as flores não têm perfume nem cor./ A cor é que tem cor nas ...

A Giganta (31)

No tempo em que a Natura, augusta, fecundanta,/ Seres descomunais dava à terra mesquinha,/ Eu quisera viver junto d'uma giganta,/ Como um gatinho manso aos pés d'uma rainha!/ / Gosta de assistir-lhe ...

Carta ao Mar (32)

Deixa escrever-te, verde mar antigo,/ Largo Oceano, velho deus limoso,/ Coração sempre lyrico, choroso,/ E terno visionario, meu amigo!/ / Das bandas do poente lamentoso/ Quando o vermelho sol vae te...

Antes o Vôo da Ave (33)

Antes o vôo da ave, que passa e não deixa rasto,/ Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão./ A ave passa e esquece, e assim deve ser./ O animal, onde já não está e por isso de nada serve,/...

Tarde no Mar (34)

A tarde é de oiro rútilo: esbraseia/ O horizonte: um cacto purpurino./ E a vaga esbelta que palpita e ondeia,/ Com uma frágil graça de menino,/ / Poisa o manto de arminho na areia/ E lá vai, e lá seg...
Charneca em Flor

Mãe (35)

Olha, meu filho! quando, à aragem fria/ De algum torvo crepúsculo, encontrares/ Uma árvore velhinha, em modo e em ares/ De abandono e outonal melancolia,/ / Não passes junto dela nesse dia/ E nessa h...

As Rosas Amo dos Jardins de Adônis (36)

As Rosas amo dos jardins de Adônis,/ Essas volucres amo, Lídia, rosas,/ Que em o dia em que nascem,/ Em esse dia morrem./ A luz para elas é eterna, porque/ Nascem nascido já o sol, e acabam/ Antes qu...

Pintura (37)

Onde se diz espiga/ leia-se narciso./ Ou leia-se jacinto./ Ou leia-se outra flor./ Que pode ser a mesma./ / As flores/ são formas/ de que a pintura se serve/ para disfarçar/ a natureza. Por isso/ é q...

Humildade (38)

As águas beijei,/ As nuvens olhei,/ Às árvores cantei,/ Na sua beleza./ / Os bichos amei,/ Na sua bruteza,/ Na sua pureza,/ De forças sem lei./ / E porque os amei/ E os acompanhei,/ Não me senti rei/...

Ar (39)

Vivificante ar, pai da existência,/ Assopro animador do Autor Divino,/ Deste nosso subtil moto contino/ Composto, onde um Deus pôs sua ciência!/ / Tu tens, ó ar, a excelsa preeminência/ De ser exalaç...

A Manhã Raia (40)

A manhã raia. Não: a manhã não raia./ A manhã é uma coisa abstracta, está, não é uma coisa./ Começamos a ver o sol, a esta hora, aqui./ Se o sol matutino dando nas árvores é belo,/ É tão belo se cham...
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