59 Poemas

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Noite Apressada (1)

Era uma noite apressada/ depois de um dia tão lento./ Era uma rosa encarnada/ aberta nesse momento./ Era uma boca fechada/ sob a mordaça de um lenço./ Era afinal quase nada,/ e tudo parecia imenso!/ ...

Desde a Aurora (2)

Como um sol de polpa escura/ para levar à boca,/ eis as mãos:/ procuram-te desde o chão,/ / entre os veios do sono/ e da memória procuram-te:/ à vertigem do ar/ abrem as portas:/ / vai entrar o vento...

Noite de Sonhos Voada (3)

Noite de sonhos voada/ cingida por músculos de aço,/ profunda distância rouca/ da palavra estrangulada/ pela boca armodaçada/ noutra boca,/ ondas do ondear revolto/ das ondas do corpo dela/ tão domin...

Fico Sozinho com o Universo Inteiro (4)

Começa a haver meia-noite, e a haver sossego, / Por toda a parte das coisas sobrepostas, / Os andares vários da acumulação da vida... / Calaram o piano no terceiro andar... / Não oiço já passos no se...

Como a Noite é Longa! (5)

Como a noite é longa!/ Toda a noite é assim.../ Senta-te, ama, perto/ Do leito onde esperto./ Vem p’r’ao pé de mim.../ / Amei tanta coisa.../ Hoje nada existe./ Aqui ao pé da cama/ Canta-me, minha am...

A Noite É Muito Escura (6)

É noite. A noite é muito escura. Numa casa a uma grande distância/ Brilha a luz duma janela./ Vejo-a, e sinto-me humano dos pés à cabeça./ É curioso que toda a vida do indivíduo que ali mora, e que n...

Na Noite Terrível (7)

Na noite terrível, substância natural de todas as noites, / Na noite de insônia, substância natural de todas as minhas noites, / Relembro, velando em modorra incômoda, / Relembro o que fiz e o que po...

Que Noite Serena! (8)

Que noite serena! / Que lindo luar! / Que linda barquinha / Bailando no mar!/ / Suave, todo o passado — o que foi aqui de Lisboa — me surge... / O terceiro andar das tias, o sossego de outrora, / So...

A Mais Bela Noite do Mundo (9)

Hoje,/ será o fim!/ / Hoje/ nem este falso silêncio/ dos meus gestos malogrados/ debruçando-se/ sobre os meus ombros nus/ e esmagados!/ / Nem o luar, pano baço de cenário velho,/ escutando/ a minha p...

Tu à Noite (10)

Tu à noite havias de escutar/ A trovoada e o ar ambulante./ Tu nessa margem hás-de virar/ Para onde estão as intempéries dominantes./ / Toda essa honrada esperança/ Ruirá na ardósia,/ E destroçará o ...

Ó Noite, Coalhada nas Formas de um Corpo de Mulher (11)

Ó noite, coalhada nas formas de um corpo de mulher/ vago e belo e voluptuoso,/ num bailado erótico, com o cenário dos astros, mudos/ ...

Pernoitas em Mim (12)

pernoitas em mim/ e se por acaso te toco a memória... amas/ ou finges morrer/ / pressinto o aroma luminoso dos fogos/ escuto o rumor da terra molhada/ a fala queimada das estrelas/ / é noite ainda/ o...

Noite Trágica (13)

O pavor e a angústia andam dançando.../ Um sino grita endechas de poentes.../ Na meia-noite d´hoje, soluçando,/ Que presságios sinistros e dolentes!.../ / Tenho medo da noite!... Padre nosso/ Que est...
A Mensageira das Violetas

A Noite Desce (14)

Como pálpebras roxas que tombassem/ Sobre uns olhos cansados, carinhosas,/ A noite desce... Ah! doces mãos piedosas/ Que os meus olhos tristíssimos fechassem!/ / Assim mãos de bondade me beijassem!/ ...
Livro de Sóror Saudade

Noite por Ti Despida (15)

Adulta é a noite onde cresce/ o teu corpo azul. A claridade/ que se dá em troca dos meus ombros/ cansados. Reflexos/ coloridos. Amei/ o amor. Amei-te meu amor sobre ...

Nocturno (16)

Por onde quer que minha alma/ navegue, ou ande, ou voe, tudo, tudo/ é seu. Que tranquila/ em toda a parte, sempre;/ agora na alta proa/ que em duas pratas abre o azul profundo,/ descendo ao fundo ou ...

Poema da Utopia (17)

A noite caiu sem manchas e sem culpa. / / Os homens tiraram as máscaras de bons actores./ / Findou o espectáculo. Tudo o mais é arrabalde./ / No alto, a utópica lua, vela comigo/ e sonha inutilmente ...

Noite de Saudade (18)

A Noite vem poisando devagar/ Sobre a Terra, que inunda de amargura .../ E nem sequer a bênção do luar/ A quis tornar divinamente pura .../ / Ninguém vem atrás dela a acompanhar/ A sua dor que é chei...
Livro de Mágoas

Noitinha (19)

A noite sobre nós se debruçou.../ Minha alma ajoelha, põe as mãos e ora!/ O luar, pelas colinas, nesta hora,/ É água dum gomil que se entornou.../ / Não sei quem tanta pérola espalhou!/ Murmura algué...
Charneca em Flor

Obsessão (20)

Os bosques para mim são como catedrais,/ Com orgãos a ulular, incutindo pavor.../ E os nossos corações, - jazidas sepulcrais,/ De profundis também soluçam, n'um clamor./ / Odeio do oceano as i...
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A Verdade é a Coisa Mais Óbvia

A verdade é a coisa mais óbvia e mais simples da existência, mas provoca uma enorme dificuldade, a mente não se interessa pelo óbvio. A mente não se entusiasma com o que é simples, porque lá no fundo...

As Máscaras e a Guerra

... A minha casa ficou entre os dois sectores... De um lado avançavam mouros e italianos... Do outro lado avançavam, retrocediam ou aguentavam-se os defensores de Madrid... Pelas paredes tinham entra...