59 Poemas

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Cântico da Noite (41)

Sumiu-se o sol esplêndido/ Nas vagas rumorosas!/ Em trevas o crepúsculo/ Foi desfolhando as rosas!/ Pela ampla terra alargar-se/ Calada solidão!/ Parece o mundo um túmulo/ Sob estrelado manto!/ Alaba...

Brilha uma Voz na Noute... (42)

Brilha uma voz na noute/ De dentro de Fora ouvi-a.../ Ó Universo, eu sou-te.../ Oh, o horror da alegria/ Deste pavor, do archote/ Se apagar, que me guia!/ / Cinzas de idéia e de nome/ Em mim, e a voz...

O Céu, de Opacas Sombras Abafado (43)

O céu, de opacas sombras abafado, / Tornando mais medonha a noite fea, / Mugindo sobre as rochas, que saltea, / O mar, em crespos montes levantado; / / Desfeito em furacões o vento irado;/ Pelos ares...

Por Estas Noites (44)

Por estas noites frias e brumosas/ É que melhor se pode amar, querida!/ Nem uma estrela pálida, perdida/ Entre a névoa, abre as pálpebras medrosas/ Mas um perfume cálido de rosas/ Corre a face da ter...

Entre Sombras (45)

Vem ás vezes sentar-se ao pé de mim/ — A noite desce, desfolhando as rosas —/ Vem ter commigo, ás horas duvidosas,/ Uma visão, com azas de setim.../ / Pousa de leve a delicada mão/ — Rescende amena a...

Hora Mística (46)

Noite caindo ... Céu de fogo e flores./ Voz de Crepúsculo exalando cores,/ O céu vai cheio de Deus e de harmonia./ Silêncio ... Eis-me rezando aos fins do dia./ / Névoa de luz criando imagens na água...

Por uma Noite de Outomno (47)

Por uma noite de outomno/ Lá n'essa nave sombría,/ Hei-de contigo deitar-me,/ Mulher branca e muda e fria!/ / Hei-de possuir na morte/ O teu corpo de marfim,/ Mulher que nunca me olhaste,/ Que nunca ...

Mais Luz! (48)

(A Guilherme de Azevedo)/ / Amem a noite os magros crapulosos,/ E os que sonham com virgens impossíveis,/ E os que inclinam, mudos e impassíveis,/ À borda dos abismos silenciosos.../ / Tu, lua, com t...

Vozes da Noite (49)

Vozes na Noite! Quem fala/ Com tanto ardor, tanto afã?/ Falou o Grilo primeiro,/ Logo depois foi a Rã./ / Pobre loucura dos homens/ Quando julgam entendê-las…/ Só eles pasmam os olhos/ Neste encanto...

Existe a Noite (50)

Existe a noite, e existe o breu./ Noite é o velado coração de Deus/ Esse que por pudor não mais procuro./ Breu é quando tu te afastas ou dizes/ Que viajas, e um sol de gelo/ Petrifica-me a cara e des...

Noutes de Chuva (51)

Eu não sei, ó meu bem, cheio de graças!/ Se tu amas no Outomno - já sem rosas! -/ A longa e lenta chuva nas vidraças,/ E as noutes glaciaes e pluviosas!/ / N'essas noutes sem luz, que - visionarios-/...

Noites Gélidas (52)

Merina/ / Rosto comprido, airosa, angelical, macia,/ Por vezes, a alemã que eu sigo e que me agrada,/ Mais alva que o luar de inverno que me esfria,/ Nas ruas a que o gás dá noites de balada;/ Sob os...

Noite Vazia (53)

Crescimento do silêncio a devorar as nuvens./ Voo incansável e monótono das aves brancas do cérebro./ Florida e ondulada suspensão da mágoa./ As ferocidades são ternuras desmaiando na estepe adivinha...

Pesada Noite (54)

A noite cai de bruços,/ cai com o peso fundo do cansaço,/ cai como pedra, como braço,/ cai como um século de cera,/ aos tombos, aos soluços,/ entre a maçã maciça e a perene pêra,/ entre a tarde e o c...

A Adoração dos Magos (55)

Aquela noite a três/ foi como desenhar a maçarico/ numa chapa de ferro/ um vento fóssil, um vítreo monograma,/ o rasto ao exceder o voo de uma carriça/ cativo flutua no vidro de uma jarra./ Suspensos...

Carta às Estrellas (56)

Ninguem soletra mais vossos mysterios/ Grandes letras da Noute! sem cessar.../ Ó tecidos de luz! rios ethereos,/ Olhos azues que amolleceis o Mar!.../ / O que fazeis dispersas pelo ar?!.../ E ha que ...

Anoitecer (57)

Ficou o céu descorado…/ E a Noite, que se avizinha,/ Vem descendo ao povoado,/ Como trôpega velhinha./ / Para a guiar com cuidado/ Veio-lhe ao encontro a Tardinha,/ Não fosse a Noite sozinha/ Perder-...

Noite Escura (58)

Noite escura do amor, em que me deito/ com teu corpo de luz, eu assombrado/ deste fantasma de repente alado/ amplificando a jaula do meu peito./ / Deixando-o infinito, maculado/ de sangue e espuma (é...

Noite Afora (59)

A quem devo dizer que em tua carne/ se sobreleva o tempo e o duradouro,/ mancha de óleo no azul, alaga e intensifica/ o contratempo a que chamei amor?/ / A quem devo dizer dos meus perigos/ quando, o...
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