15 Poemas



Minha Terra (1)

A. J. Emídio Amaro/ / Ó minha terra na planície rasa,/ Branca de sol e cal e de luar,/ Minha terra que nunca viu o mar/ Onde tenho o meu pão e a minha casa.../ / Minha terra de tardes sem uma asa,/ S...
Charneca em Flor

Com os Mortos (2)

Os que amei, onde estão? Idos, dispersos,/ arrastados no giro dos tufões,/ Levados, como em sonho, entre visões,/ Na fuga, no ruir dos universos.../ / E eu mesmo, com os pés também imersos/ Na corren...

Nostalgia (3)

Nesse País de lenda, que me encanta,/ Ficaram meus brocados, que despi,/ E as jóias que p'las aias reparti/ Como outras rosas de Rainha Santa!/ / Tanta opala que eu tinha! Tanta, tanta!/ Foi por lá q...
Charneca em Flor

Nostalgia do Presente (4)

Naquele preciso momento o homem disse:/ «O que eu daria pela felicidade/ de estar ao teu lado na Islândia/ sob o grande dia imóvel/ e de repartir o agora/ como se reparte a música/ ou o sabor de um f...

Silêncio, Nostalgia... (5)

Silêncio, nostalgia.../ Hora morta, desfolhada,/ sem dor, sem alegria,/ pelo tempo abandonada./ / Luz de Outono, fria, fria.../ Hora inútil e sombria/ de abandono./ Não sei se é tédio, sono,/ silênci...

Lugares da Infância (6)

Lugares da infância onde/ sem palavras e sem memória/ alguém, talvez eu, brincou/ já lá não estão nem lá estou./ / Onde? Diante/ de que mistério/ em que, como num espelho hesitante,/ o meu rosto, out...

Melancolia (7)

Oh dôce luz! oh lua!/ Que luz suave a tua,/ E como se insinua/ Em alma que fluctua/ De engano em desengano!/ Oh creação sublime!/ A tua luz reprime/ As tentações do crime,/ E á dôr que nos opprime...

Nostalgia (8)

A pequena flor/ só que além nasceu/ sonhou ser maior:/ nada lhe valeu.../ / Na cova esquecida,/ sol que desejou/ não a bafejou,/ bastarda da vida.../ / E era flor ou gente?/ Esquecida imperfeita/ num...

Juventude (9)

Lembras-te, Carlos, quando, ao fim do dia,/ Felizes, ambos, íamos nadar/ E em nossa boca a espuma persistia/ Em dar ao Sol o nome do Luar?/ / Tudo era fácil, melodioso e longo./ Aqui e além, um súbit...

Casa Abandonada (10)

Minha saudade não larga/ Certa casa abandonada./ E sinto, na boca, amarga,/ Essa lágrima chorada/ Quando a deixei.../ / Caía, de leve, a tarde.../ E, olhando para trás, vi/ Aquela porta fechada./ / N...

Fímbria de Melancolia (11)

Fímbria de melancolia,/ memória incerta da dor,/ ouço-a no gravador,/ no fado que não se ouvia/ quando ouvia o seu clamor./ / Porque era já no passado/ o presente dessa hora/ e que me ressoa agora/ a...

Infância (12)

Sonhos/ enormes como cedros/ que é preciso/ trazer de longe/ aos ombros/ para achar/ no inverno da memória/ este rumor/ de lume:/ o teu perfume,/ lenha/ da melancolia./ / Carlos de Oliveira, in 'C...

Falésias (13)

Poder-me-ão encontrar, trago um rapaz na minha/ memória, a casa a uma janela/ da qual ele vem como um sabor à boca,/ falésias onde o aguardo à hora do crepúsculo./ / Regresso assim ao mar de que não ...

Sonetos do Regresso (14)

I/ / Volto contigo à terra da ilusão,/ mas o lar de meus pais levou-o o vento/ e se levou a pedra dos umbrais/ o resto é esquecimento:/ procurar o amor neste deserto/ onde tudo me ensina a viver só/ ...

Primeira Casa (15)

Muitas vezes, por outras casas/ e noutros países sonhava/ com o soalho antigo e a varanda/ onde um entardecer de plátanos/ enchia o peito de uma secreta/ ansiedade, sem motivo. O quarto/ da Mãe, esse...


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Sílaba sobre Sílaba

Aprendo uma gramática de exílio, nas vertentes do silêncio. É uma aprendizagem que requer pernas rijas e mão segura, coisas de que já não me posso gabar, mas embora precárias, sempre as minhas mãos f...

Tudo é Engano

Tudo é engano: buscar o mínimo de ilusão, permanecer no nível usual, ou buscar o máximo. No primeiro caso, engana-se o bem, na medida em que se deseja tornar fácil demais a sua conquista; e o mal, na...
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