42 Poemas

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Desperdício (11)

Solidão, não te mereço,/ pois que te consumo em vão./ Sabendo-te embora o preço,/ calco teu ouro no chão./ / Carlos Drummond de Andrade, in 'Viola de Bolso'...

Hino à Solidão (12)

Diz-se que a solidão torna a vida um deserto;/ Mas quem sabe viver com a sua alma nunca/ Se encontra só; a Alma é um mundo, um mundo/ [...

Hora que Passa (13)

Vejo-me triste, abandonada e só/ Bem como um cão sem dono e que o procura/ Mais pobre e desprezada do que Job/ A caminhar na via da amargura!/ / Judeu Errante que a ninguém faz dó!/ Minh'alma triste,...
Livro de Sóror Saudade

Último Poema (14)

É Natal, nunca estive tão só./ Nem sequer neva como nos versos/ do Pessoa ou nos bosques/ da Nova Inglaterra./ Deixo os olhos correr/ entre o fulgor dos cravos/ e os dióspiros ardendo na sombra./ Que...

Três Poemas da Solidão (15)

I/ / Nem aqui nem ali: em parte alguma./ Não é este ou aquele o meu lugar./ Desço à praia, mergulho as mãos no mar,/ mas do mar, nos meus dedos, fica a espuma./ / Meu jardim, minha cerca, meu pomar./...

Poema dum Funcionário Cansado (16)

A noite trocou-me os sonhos e as mãos/ dispersou-me os amigos/ tenho o coração confundido e a rua é estreita/ / estreita em cada passo/ as casas engolem-nos/ sumimo-nos,/ estou num quarto só num quar...

Solidão (17)

Ó solidão! À noite, quando, estranho,/ Vagueio sem destino, pelas ruas,/ O mar todo é de pedra... E continuas./ Todo o vento é poeira... E continuas./ A Lua, fria, pesa... E continuas./ Uma hora pass...

Solidão (18)

Estás todo em ti, mar, e, todavia,/ como sem ti estás, que solitário,/ que distante, sempre, de ti mesmo!/ / Aberto em mil feridas, cada instante,/ qual minha fronte,/ tuas ondas, como os meus pensam...

A Solidão é Sempre Fundamento da Liberdade (19)

A solidão é sempre fundamento/ da liberdade. Mas também do espaço/ por onde se desenvolve o alargar do tempo/ à volta da atenção estrita do acto./ Húmus, e alma, é a solidão. E vento,/ quando da imóv...

Os Mochos (20)

Sob os feixos onde habitam,/ Os mochos formam em filas;/ Fugindo as rubras pupilas,/ Mudos e quietos, meditam./ / E assim permanecerão/ Até o Sol se ir deitar/ No leito enorme do mar,/ Sob um sombrio...
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