42 Poemas

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Solidão (21)

Que venham todos os pobres da Terra/ os ofendidos e humilhados/ os torturados/ os loucos:/ meu abraço é cada vez mais largo/ envolve-os a todos!/ / Ó minha vontade, ó meu desejo/ — os pobres e os hum...

 (22)

Este, que um deus cruel arremessou à vida,/ Marcando-o com o sinal da sua maldição,/ - Este desabrochou como a erva má, nascida/ Apenas para aos pés ser calcada no chão./ / De motejo em motejo arrast...

O Solitário (23)

Como alguém que por mares desconhecidos viajou,/ assim sou eu entre os que nunca deixaram a sua pátria;/ os dias cheios estão sobre as suas mesas/ mas para mim a distância é puro sonho./ / Penetra pr...

Ortofrenia (24)

Aclamações/ dentro do edifício inexpugnável/ aclamações/ por já termos chapéu para a solidão/ aclamações/ por sabermos estar vivos na geleira/ aclamações/ por ardermos mansinho junto ao mar/ aclamaçõ...

És Música e a Música Ouves Triste? (25)

És música e a música ouves triste?/ Doçura atrai doçura e alegria:/ porque amas o que a teu prazer resiste,/ ou tens prazer só na melancolia?/ se a concórdia dos sons bem afinados,/ por casados, ofen...

Nas Trevas (26)

Como estou só no mundo! Como tudo/ É lagrima e silencio!/ / Ó tristêsa das Cousas, quando é noite/ Na terra e em nosso espirito!... Tristêsa/ Que se anuncia em vultos de arvoredos,/ Em rochas diluida...

Por esta Solidão, que não Consente (27)

Por esta solidão, que não consente / Nem do sol, nem da lua a claridade, / Ralado o peito pela saudade/ Dou mil gemidos a Marília ausente: / / De seus crimes a mancha inda recente/ Lava Amor, e triun...

Solidão (28)

Imensas noites de Inverno,/ com frias montanhas mudas,/ é o mar negro, mais eterno,/ mais terrível, mais profundo./ / (...)/ / A noite fecha seus lábios/ - terra e céu - guardado nome./ E os seus lon...

À Solidão (29)

Solidão coroada de rosas, quem pudera/ aprisionar teu corpo de sol e de harmonia;/ estar dentro de ti toda esta primavera/ de sangue, e folhas secas e de melancolia!/ / Que palpitasse, em sonho, teu ...

O Selvagem (30)

Eu não amo ninguem. Tambem no mundo/ Ninguem por mim o peito bater sente,/ Ninguem entende meu sofrer profundo,/ E rio quando chora a demais gente./ / Vivo alheio de todos e de tudo,/ Mais callado qu...

Mania da Solidão (31)

Como um jantar frugal junto à clara janela,/ Na sala já está escuro mas ainda se vê o céu./ Se saísse, as ruas tranquilas deixar-me-iam/ ao fim de pouco tempo em pleno campo./ Como e observo o céu — ...

Se em Nós a Solidão Viver Sozinha (32)

Se em nós a solidão viver sozinha,/ sem que nada em nós próprios a perturbe,/ cada figura passará rainha/ na antiguidade súbita da urbe./ / Um acento de pena irá na linha/ vincar a eternidade de figu...

A Solidão e Sua Porta (33)

A Francisco Brennand/ / Quando mais nada resistir que valha/ a pena de viver e a dor de amar/ e quando nada mais interessar/ (nem o torpor do sono que se espalha),/ / quando, pelo desuso da na...

Solidão (34)

Vago aroma de esteva, ao mesmo tempo ardente e virgem,/ E este murmúrio doce da folhagem,/ São o falar do mato, na estiagem,/ Segredando os mistérios da origem./ / Calma profunda, doce, resignada.../...

Seria Eterno (35)

Seria eterno, se não fosse entrando/ por aquele país de solidão,/ aonde ver a luz alarga, quando / e alarga, à volta, a vinda do verão./ / Seria eterno. Assim somente o brando/ movimento de entrar se...

Solidão (36)

Cai chuva, chora./ Chora, chora./ Solidão, solidão!/ / Já não canta o pássaro./ Calou-se a voz, a alegre, a rara./ A que se ouvia solitária./ Cai chuva./ / Não sou freira e estou num convento./ A paz...

O Coração - II (37)

A solidão é perfeita como um rasgo entre/ as nuvens, ao último sonho. A solidão/ que se cala em teu fundo e vai envelhecendo/ na terra perdida do som descompassado./ / Te guardas na intimidade dos ar...

Como é que a Solidão Hei-de Ir Medindo? (38)

Como é que a solidão hei-de ir medindo?/ desse-me os golpes de uso inda esta dor/ um a um sua nudez a sobrepor/ que o ritmo sem nome a foi vestindo/ / mas sofro agora o tempo nu saindo/ numa levada s...

Quando é Grande o Poderio da Solidão (39)

Quando é grande o poderio/ da solidão, ao seu lado/ estanca a aura exterior do brilho/ que a fica aí preservando./ Às vezes, outra se avizinha. O sítio/ da vizinhança contamina o espaço./ E uma como ...

 (40)

Como se nunca,/ terrena e submissa,/ recolhesse do amor/ o fruto sazonado./ / Como se os abraços/ não fossem para/ o homem e suas dores/ acalanto e regaço/ / Como se não houvesse/ riso e pranto/ noit...
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