65 Poemas

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Canção (21)

Pus o meu sonho num navio/ e o navio em cima do mar;/ — depois, abri o mar com as mãos,/ para o meu sonho naufragar./ / Minhas mãos ainda estão molhadas/ do azul das ondas entreabertas,/ e a cor que ...

Dizem? (22)

Dizem?/ Esquecem./ Não dizem?/ Disseram./ / Fazem?/ Fatal./ Não fazem?/ Igual./ / Por quê/ Esperar?/ Tudo é/ Sonhar./ / Fernando Pessoa, in Cancioneiro ...

Contemplo o Lago Mudo (23)

Contemplo o lago mudo/ Que uma brisa estremece./ Não sei se penso em tudo/ Ou se tudo me esquece./ / O lago nada me diz,/ Não sinto a brisa mexê-lo/ Não sei se sou feliz/ Nem se desejo sê-lo./ / Trêm...

Que Há para Lá do Sonhar? (24)

Céu baixo, grosso, cinzento/ e uma luz vaga pelo ar/ chama-me ao gosto de estar/ reduzido ao fermento/ do que em mim a levedar/ é este estranho tormento/ de me estar tudo a contento,/ em todo o meu p...

Sonho (25)

Quantas vezes, em sonho, as asas da saudade/ Solto para onde estás, e fico de ti perto!/ Como, depois do sonho, é triste a realidade!/ Como tudo, sem ti, fica depois deserto!/ / Sonho... Minha alma v...

Quem Sonha Mais? (26)

Quem sonha mais, vais-me dizer —/ Aquele que vê o mundo acertado/ Ou o que em sonhos se foi perder?/ / O que é verdadeiro? O que mais será —/ A mentira que há na realidade/ Ou a mentira que em sonhos...

Mesa dos Sonhos (27)

Ao lado do homem vou crescendo/ / Defendo-me da morte quando dou/ Meu corpo ao seu desejo violento/ E lhe devoro o corpo lentamente/ / Mesa dos sonhos no meu corpo vivem/ Todas as formas e começam/ T...

O Passado é o Presente na Lembrança (28)

Se recordo quem fui, outrem me vejo,/ E o passado é o presente na lembrança./ Quem fui é alguém que amo/ Porém somente em sonho./ E a saudade que me aflige a mente/ Não é de mim nem do passado visto,...

Nem Sequer Sou Poeira (29)

Não quero ser quem sou. A avara sorte/ Quis-me oferecer o século dezassete,/ O pó e a rotina de Castela,/ As coisas repetidas, a manhã/ Que, prometendo o hoje, dá a véspera,/ A palestra do padre ou d...

Fui Pedir um Sonho ao Jardim dos Mortos (30)

Fui pedir um sonho ao jardim dos mortos./ Quis pedi-lo, aos vivos. Disseram-me que não./ Os mortos não sabem, lá onde é que estão,/ Que neles se enfeitam os meus braços tortos./ / Os mortos dormiam.....
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