49 Poemas

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Eu não Quero o Presente, Quero a Realidade (1)

Vive, dizes, no presente,/ Vive só no presente./ / Mas eu não quero o presente, quero a realidade;/ Quero as cousas que existem, não o tempo que as mede./ / O que é o presente?/ É uma cousa relativa ...

Aproveitar o Tempo (2)

Aproveitar o tempo! / Mas o que é o tempo, que eu o aproveite? / Aproveitar o tempo! / Nenhum dia sem linha... / O trabalho honesto e superior... / O trabalho à Virgílio, à Mílton... / Mas é tão difí...

Vive sem Horas (3)

Vive sem horas. Quanto mede pesa,/ E quanto pensas mede./ Num fluido incerto nexo, como o rio/ Cujas ondas são ele,/ Assim teus dias vê, e se te vires/ Passar, como a outrem, cala./ / Ricardo Reis...

E por Vezes (4)

E por vezes as noites duram meses/ E por vezes os meses oceanos/ E por vezes os braços que apertamos/ nunca mais são os mesmos E por vezes/ / encontramos de nós em poucos meses/ o que a noite nos...

Ladainha dos Póstumos Natais (5)

Há-de vir um Natal e será o primeiro/ em que se veja à mesa o meu lugar vazio/ / Há-de vir um Natal e será o primeiro/ em que hão-de me lembrar de modo menos nítido/ / Há-de vir um Natal e será o pri...

Quando, Lídia, Vier o Nosso Outono (6)

Quando, Lídia, vier o nosso outono/ Com o inverno que há nele, reservemos/ Um pensamento, não para a futura/ Primavera, que é de outrem,/ Nem para o estio, de quem somos mortos,/ Senão para o que fic...

Breves São os Anos (7)

No breve número de doze meses/ O ano passa, e breves são os anos,/ Poucos a vida dura./ Que são doze ou sessenta na floresta/ Dos números, e quanto pouco falta/ Para o fim do futuro!/ Dois terços já,...

Conta e Tempo (8)

Deus pede estrita conta de meu tempo./ E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta./ Mas, como dar, sem tempo, tanta conta/ Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?/ / Para dar minha conta feita a tempo,/ O ...

Eu Queria Ter o Tempo e o Sossego Suficientes (9)

Eu queria ter o tempo e o sossego suficientes/ Para não pensar em coisa nenhuma,/ Para nem me sentir viver,/ Para só saber de mim nos olhos dos outros, reflectido./ / Alberto Caeiro, in Poemas In...

Tão Cedo Passa Tudo quanto Passa (10)

Tão cedo passa tudo quanto passa!/ Morre tão jovem ante os deuses quanto/ Morre! Tudo é tão pouco!/ Nada se sabe, tudo se imagina./ Circunda-te de rosas, ama, bebe/ E cala. O mais é nada./ / Ricar...

Tempo (11)

Tempo — definição da angústia./ Pudesse ao menos eu agrilhoar-te/ Ao coração pulsátil dum poema!/ Era o devir eterno em harmonia./ Mas foges das vogais, como a frescura/ Da tinta com que escrevo./ Fi...

elegia (12)

já nada é o que era/ e provavelmente nunca mais o será/ e mesmo que o fosse/ algo me diz que já não seria o que era/ porque o que era/ era o que era por ser o que era/ do que eu me lembro muito bem/ ...

Dia (13)

De que céu caído,/ oh insólito,/ imóvel solitário na onda do tempo?/ És a duração,/ o tempo que amadurece/ num instante enorme, diáfano:/ flecha no ar,/ branco embelezado/ e espaço já sem memória de ...

Cada Coisa a seu Tempo Tem seu Tempo (14)

Cada coisa a seu tempo tem seu tempo./ Não florescem no inverno os arvoredos,/ Nem pela primavera/ Têm branco frio os campos./ / À noite, que entra, não pertence, Lídia,/ O mesmo ardor que o dia nos ...

Qualquer Tempo (15)

Qualquer tempo é tempo./ A hora mesma da morte/ é hora de nascer./ / Nenhum tempo é tempo/ bastante para a ciência/ de ver, rever./ / Tempo, contratempo/ anulam-se, mas o sonho/ resta, de viver./ / <...

Data (16)

{à maneira de Eustache Deschamps)/ / Tempo de solidão e de incerteza/ Tempo de medo e tempo de traição/ Tempo de injustiça e de vileza/ Tempo de negação/ / Tempo de covardia e tempo de ira/ Tempo de ...

Poeminha sobre o Tempo (17)

O despertador desperta,/ acorda com sono e medo;/ por que a noite é tão curta/ e fica tarde tão cedo?/ / Millôr Fernandes, in Pif-Paf ...

São Plácidas Todas as Horas que Nós Perdemos (18)

Mestre, são plácidas/ Todas as horas/ Que nós perdemos,/ Se no perdê-las,/ Qual numa jarra,/ Nós pomos flores./ / Não há tristezas/ Nem alegrias/ Na nossa vida./ Assim saibamos,/ Sábios incautos,/ Nã...

Realidade (19)

Sim, passava aqui frequentemente há vinte anos... / Nada está mudado — ou, pelo menos, não dou por isto — / Nesta localidade da cidade... / / Há vinte anos!... / O que eu era então! Ora, era outro......

Duração (20)

O tempo era bom? Não era/ O tempo é, para sempre./ A hera da antiga era/ roreja incansavelmente./ / Aconteceu há mil anos?/ Continua acontecendo./ Nos mais desbotados panos,/ estou me lendo e relendo...
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A Europa como um Novo Império Germânico

Uma vez mais. Sou um europeu céptico que aprendeu tudo do seu cepticismo com uma professora chamada Europa. Não falando da questão do «ressentimento histórico», a que sou especialmente sensível, mas ...

O Poema é uma Árvore de um Só Fruto

Creio que nenhum de vós há-de estranhar que eu diga que o poeta é aquele que perdeu a palavra antes de a poder dizer; dito de outro modo. Ele é o que fala ou escreve antes de conhecer o enunciado do ...
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