49 Poemas

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A Tempo (21)

A tempo entrei no tempo,/ Sem tempo dele sairei:/ Homem moderno,/ Antigo serei./ Evito o inferno/ Contra tempo, eterno/ À paz que visei./ Com mais tempo/ Terei tempo:/ No fim dos tempos serei/ Como q...

A Minha Hora (22)

Que horas são? O meu relógio está parado,/ Há quanto tempo!.../ Que pena o meu relógio estar parado/ E eu não poder marcar esta hora extraordinária!/ Hora em que o sonho ascende, lento, muito lento,/...

Tempo (23)

O tempo é um velho corvo/ de olhos turvos, cinzentos./ Bebe a luz destes dias só dum sorvo/ como as corujas o azeite/ dos lampadários bentos./ / E nós sorrimos,/ pássaros mortos/ no fundo dum paul/ d...

Ah! Os Relógios (24)

Amigos, não consultem os relógios/ quando um dia eu me for de vossas vidas/ em seus fúteis problemas tão perdidas/ que até parecem mais uns necrológios.../ / Porque o tempo é uma invenção da morte:/ ...

O Tempo Vive (25)

O tempo vive, quando os homens, nele,/ se esquecem de si mesmos,/ ficando, embora, a contemplar o estreme/ reduto de estar sendo./ O tempo vive a refrescar a sede/ dos animais e do vento,/ quando a e...

Elegia de Natal (26)

Era também de noite Era também Dezembro/ Vieram-me dizer que o meu irmão nascera/ Já não sei afinal se o recordo ou se penso/ que estou a recordá-lo à força de o dizerem/ / Mas o teu berço foi o ...

Nocturno (27)

Uma casa navega no tempo/ como um barco subindo o rio/ Por fim sem marinhagem por fim sem mastreação./ Por fim ancorada nas janelas exorbitadas/ onde as luzes são paisagens lunares/ e o silêncio tem ...

Só de Restos se Consagra o Tempo (28)

Só de restos se consagra o tempo, força/ cerrada na inutilidade destas/ cores campestres, quando o sol em Novembro/ escurece os sobreiros. Só de restos me/ espera a cerimónia de viver,/ trânsito e tr...

Sentimento do Tempo (29)

Os sapatos envelheceram depois de usados/ Mas fui por mim mesmo aos mesmos descampados/ E as borboletas pousavam nos dedos de meus pés./ As coisas estavam mortas, muito mortas,/ Mas a vida tem outras...

Paisagens de Inverno (30)

I/ / Ó meu coração, torna para trás./ Onde vais a correr, desatinado?/ Meus olhos incendidos que o pecado/ Queimou! o sol! Volvei, noites de paz./ Vergam da neve os olmos dos caminhos./ A cinza arref...

Não Tarda Nada Sermos (31)

Breve o dia, breve o ano, breve tudo./ Não tarda nada sermos./ Isto, pensado, me de a mente absorve/ Todos mais pensamentos./ O mesmo breve ser da mágoa pesa-me,/ Que, inda que mágoa, é vida./ / R...

Podes, ó Tempo, Entrar: Eu Te Convido (32)

Podes, ó Tempo, entrar: eu te convido/ A ser hóspede meu, que eu nunca faço/ Distinção quando és bom ou mau, pois passo/ Os meus dias, de ti nunca esquecido./ / Ou me batas à porta, enfurecido,/ Envo...

Não Há Tempo (33)

Não há tempo/ há horas/ Não há um relógio/ há/ hábitos que/ me habitam/ / O poema dói/ o ponteiro corta/ a hora que queima/ a morte simula/ / respira/ para não me distrair/ / Fernando Lemos, in 'A...

Diálogo da Vida e o Tempo (34)

V. Quem chama dentro em mi? - T. O tempo ousado/ V. Entraste sem licença? - T. Tenho-a há muito./ V. Que me queres? - T. Que me ouças. - V. Já te escuto./ T. Prometes de me crer? - V. Fala avisado./ ...

Entardecer (35)

Sol-posto ungindo o mar: incensos de ouro!/ / Recolhe funda a tarde em sonho e mágoa./ Surdina fluida: anda o silêncio a orar –/ E há crepúsculos de asas e, na água,/ O céu é mármore extático a cisma...

Quão Breve Tempo é a Mais Longa Vida (36)

Quão breve tempo é a mais longa vida/ E a juventude nela! Ah!, Cloe, Cloe,/ Se não amo nem bebo,/ Nem sem querer não penso,/ Pesa-me a lei inimplorável, dói-me/ A hora invicta, o tempo que não cessa,...

Nos Foge o Tempo (37)

Se mais que aéreas nuvens pressuroso,/ Se mais que inquietas ondas inconstante,/ Nos foge o Tempo; é inútil o saudoso/ Pranto, dado a quem foge; eu incessante/ Quero abarcar, e com ardor ansioso/ Ent...

Tempo Revisitado (38)

O tempo a que sempre regressamos/ e nos visita um instante/ / O tempo que depois destruímos/ construímos e ali-/ mentamos se nos/ alimenta/ / O tempo onde a luz buscamos e/ a morte sempre/ encontramo...

Ao Tempo (39)

Levanta o pano, ó tragador das eras,/ A cena mostra das fatais desditas,/ Pois que no giro das paixões que incitas/ Tragar venturas, vorazmente, esperas./ / Do vário mundo que só nutre feras,/ Co'a t...

Tempo Habitual (40)

De nojo, o tempo, o nosso,/ A perfídia estrumando/ No presumir da carícia branda e sorriso/ De todos./ / De raiva o tempo, o nosso,/ Céu, mar e terra abrasando/ Em clamor de labareda e navalha afiad...
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