23 Poemas

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A Melhor Maneira de Viajar é Sentir (1)

Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir. / Sentir tudo de todas as maneiras. / Sentir tudo excessivamente, / Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas / E toda a realidade é um excesso, ...

Viagem (2)

É o vento que me leva./ O vento lusitano./ É este sopro humano/ Universal/ Que enfuna a inquietação de Portugal./ É esta fúria de loucura mansa/ Que tudo alcança/ Sem alcançar./ Que vai de céu em céu...

Para Além da Curva da Estrada (3)

Para além da curva da estrada/ Talvez haja um poço, e talvez um castelo,/ E talvez apenas a continuação da estrada./ Não sei nem pergunto./ Enquanto vou na estrada antes da curva/ Só olho para a estr...

Ode Marítima (4)

Sozinho, no cais deserto, a esta manhã de Verão, / Olho pro lado da barra, olho pro Indefinido, / Olho e contenta-me ver, / Pequeno, negro e claro, um paquete entrando. / Vem muito longe, nítido, clá...

Opiário (5)

Ao Senhor Mário de Sá-Carneiro / / É antes do ópio que a minh'alma é doente. / Sentir a vida convalesce e estiola / E eu vou buscar ao ópio que consola / Um Oriente ao oriente do Oriente. / / Esta vi...

Na Véspera de não Partir Nunca (6)

Na véspera de não partir nunca / Ao menos não há que arrumar malas / Nem que fazer planos em papel, / Com acompanhamento involuntário de esquecimentos, / Para o partir ainda livre do dia seguinte. / ...

Poema da Auto-estrada (7)

Voando vai para a praia/ Leonor na estrada preta./ Vai na brasa, de lambreta./ / Leva calções de pirata,/ Vermelho de alizarina,/ modelando a coxa fina/ de impaciente nervura./ Como guache lustroso,/...

A Secreta Viagem (8)

No barco sem ninguém, anónimo e vazio,/ ficámos nós os dois, parados, de mão dada.../ Como podem só dois governar um navio?/ Melhor é desistir e não fazermos nada!/ / Sem um gesto sequer, de súbito e...

Nunca, por Mais (9)

Nunca, por mais que viaje, por mais que conheça / O sair de um lugar, o chegar a um lugar, conhecido ou desconhecido, / Perco, ao partir, ao chegar, e na linha móbil que os une, / A sensação de arrep...

Ciganos em Viagem (10)

A tribo que prevê a sina dos viventes/ Levantou arraiais hoje de madrugada;/ Nos carros, as mulher', c'o a torva filharada/ Às costas ou sugando os mamilos pendentes;/ / Ao lado dos carrões, na pedre...

Là-bas, Je Ne Sais Où... (11)

Véspera de viagem, campainha... / Não me sobreavisem estridentemente! / Quero gozar o repouso da gare da alma que tenho / Antes de ver avançar para mim a chegada de ferro / Do comboio definitivo, / A...

Poema da Morte na Estrada (12)

Na berma da estrada, nuns quinhentos metros,/ estão quinhentos mortos com os olhos abertos./ / A morte, num sopro, colheu-os aos molhos./ Nem tiveram tempo para fechar os olhos./ / Eles bem sabiam do...

O Frio Especial (13)

O frio especial das manhãs de viagem, / A angústia da partida, carnal no arrepanhar / Que vai do coração à pele, / Que chora virtualmente embora alegre. / / Álvaro de Campos, in Poemas / Hete...

Escrito num Livro Abandonado em Viagem (14)

Venho dos lados de Beja. / Vou para o meio de Lisboa. / Não trago nada e não acharei nada. / Tenho o cansaço antecipado do que não acharei, / E a saudade que sinto não é nem no passado nem no futuro....

A França! (15)

Vou sobre o Oceano (o luar de lindo enleva!)/ Por este mar de Gloria, em plena paz./ Terras da Patria somem-se na treva,/ Agoas de Portugal ficam, atraz.../ / Onde vou eu? Meu fado onde me leva?/ Ant...

Em Viagem (16)

Pelo caminho estreito, aonde a custo/ Se encontra uma só flor, ou ave, ou fonte,/ Mas só bruta aridez de áspero monte/ E os soes e a febre do areal adusto,/ / Pelo caminho estreito entrei sem susto/ ...

Continua a Tempestade (17)

Aqui, sobre estas aguas cor de azeite,/ Scismo em meu lar, na paz que lá havia:/ Carlota, á noite, ia ver se eu dormia/ E vinha, de manhã, trazer-me o leite.../ / Aqui, não tenho um unico deleite!/ T...

Em Viagem (18)

Desde aquela dor tamanha / Do momento em que parti / Um só prazer me acompanha, / Filha, o de pensar em ti:/ / Por sobre a negra paisagem / Do meu ermo coração / O luar branco da tua imagem / Veste u...

O Florir (19)

O florir do encontro casual / Dos que hão sempre de ficar estranhos... / / O único olhar sem interesse recebido no acaso / Da estrangeira rápida ... / / O olhar de interesse da criança trazida pela m...

O Ter Deveres (20)

O ter deveres, que prolixa coisa! / Agora tenho eu que estar à uma menos cinco / Na Estação do Rossio, tabuleiro superior — despedida / Do amigo que vai no Sud Express de toda a gente / Para onde t...
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O Valor para o Cliente

A última pergunta necessária para entender o propósito do negócio e a missão deste é: «Qual é o valor para o cliente?» Talvez seja a pergunta mais importante. No entanto, é a que menos vezes é feita....

Prometo Perder

Prometo perder. Prometo por vezes fraquejar, por vezes cair, por vezes ser incapaz de ganhar. Nem sempre conseguirei superar, nem sempre conseguirei ultrapassar. Nem sempre poderei ser capaz de ir ...
Inspirações

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