59 Poemas

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Viver (1)

Mas era apenas isso,/ era isso, mais nada?/ Era só a batida/ numa porta fechada?/ / E ninguém respondendo,/ nenhum gesto de abrir:/ era, sem fechadura,/ uma chave perdida?/ / Isso, ou menos que isso/...

Hoje de Manhã Saí Muito Cedo (2)

Hoje de manhã saí muito cedo,/ Por ter acordado ainda mais cedo/ E não ter nada que quisesse fazer.../ / Não sabia por caminho tomar/ Mas o vento soprava forte, varria para um lado,/ E segui o caminh...

Caminharemos de Olhos Deslumbrados (3)

Caminharemos de olhos deslumbrados/ E braços estendidos/ E nos lábios incertos levaremos/ O gosto a sol e a sangue dos sentidos./ / Onde estivermos, há-de estar o vento/ Cortado de perfumes e gemidos...

Vive sem Horas (4)

Vive sem horas. Quanto mede pesa,/ E quanto pensas mede./ Num fluido incerto nexo, como o rio/ Cujas ondas são ele,/ Assim teus dias vê, e se te vires/ Passar, como a outrem, cala./ / Ricardo Reis...

É tão Suave a Fuga deste Dia (5)

É tão suave a fuga deste dia,/ Lídia, que não parece, que vivemos./ Sem dúvida que os deuses/ Nos são gratos esta hora,/ / Em paga nobre desta fé que temos/ Na exilada verdade dos seus corpos/ Nos dã...

Nunca Busquei Viver a Minha Vida (6)

Nunca busquei viver a minha vida/ A minha vida viveu-se sem que eu quisesse ou não quisesse./ Só quis ver como se não tivesse alma/ Só quis ver como se fosse eterno./ / Alberto Caeiro, in Fragmen...

Vive-se Quando se Vive a Substância Intacta (7)

Vive-se quando se vive a substância intacta/ em estar a ser sua ardente harmonia/ que se expande em clara atmosfera/ leve e sem delírio ou talvez delirando/ no vértice da frescura onde a imagem tre...

Cada Dia sem Gozo não Foi Teu (8)

Cada dia sem gozo não foi teu/ Foi só durares nele. Quanto vivas/ Sem que o gozes, não vives./ / Não pesa que amas, bebas ou sorrias:/ Basta o reflexo do sol ido na água/ De um charco, se te é grato....

Nirvana (9)

Viver assim: sem ciúmes, sem saudades,/ Sem amor, sem anseios, sem carinhos,/ Livre de angústias e felicidades,/ Deixando pelo chão rosas e espinhos;/ / Poder viver em todas as idades;/ Poder andar p...

Eu Queria Ter o Tempo e o Sossego Suficientes (10)

Eu queria ter o tempo e o sossego suficientes/ Para não pensar em coisa nenhuma,/ Para nem me sentir viver,/ Para só saber de mim nos olhos dos outros, reflectido./ / Alberto Caeiro, in Poemas In...

Já não Vivi, Só Penso (11)

Já não vivo, só penso. E o pensamento/ é uma teia confusa, complicada,/ uma renda subtil feita de nada:/ de nuvens, de crepúsculos, de vento./ / Tudo é silêncio. O arco-íris é cinzento,/ e eu cada ve...

Os Grandes Indiferentes (12)

Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia/ Tinha não sei qual guerra,/ Quando a invasão ardia na cidade/ E as mulheres gritavam,/ Dois jogadores de xadrez jogavam/ O seu jogo contínuo./ / À sombra de ...

Respiro e Vejo (13)

Respiro e vejo. A noite e cada sol/ vão rompendo de mim a todo o instante,/ tarde e manhã que são tecido tempo,/ chuva e colheita. O céu, repouso e vento./ / Vergel de aves. Vou entre viveiros,/ a ca...

Viver Sempre também Cansa (14)

Viver sempre também cansa./ / O sol é sempre o mesmo e o céu azul/ ora é azul, nitidamente azul,/ ora é cinzento, negro, quase-verde.../ Mas nunca tem a cor inesperada./ / O mundo não se modifica./ A...

São Plácidas Todas as Horas que Nós Perdemos (15)

Mestre, são plácidas/ Todas as horas/ Que nós perdemos,/ Se no perdê-las,/ Qual numa jarra,/ Nós pomos flores./ / Não há tristezas/ Nem alegrias/ Na nossa vida./ Assim saibamos,/ Sábios incautos,/ Nã...

Requiem por Muitos Maios (16)

Conheci tipos que viveram muito. Estão/ mortos, quase todos: de suicídio, de cansaço./ de álcool, da obrigação de viver/ que os consumia. Que ficou das suas vidas? Que/ mulheres os lembram com a nost...

Clarão (17)

O que isto é, viver!/ Abrir os olhos, ver,/ E ser o nevoeiro que se vê!/ Nevoeiro ao nascer,/ Nevoeiro ao morrer,/ E um destino na mão que se não lê.../ / Miguel Torga, in 'Diário (1942)'...

Retomo ao Ponto de Partida (18)

Retomo, pois, ao ponto de partida/ como um presente, o ponto de chegada./ Entre um começo e outro não há nada/ Excepto o nada da vida vivida./ / Desgaste, corrosão do que de novo/ em velho se mudou a...

Certeza (19)

Se é real a luz branca/ desta lâmpada, real/ a mão que escreve, são reais/ os olhos que olham o escrito?/ / Duma palavra à outra/ o que digo desvanece-se./ Sei que estou vivo/ entre dois parênteses./...

A Coragem no Gesto de Viver (20)

O solitário gesto de viver/ não demanda a coragem que há na faca,/ na ponta do punhal e até no grito/ de quem fala mais alto e está coberto/ de razões, de certezas, de verdades./ O gesto de viver se ...
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A Subfelicidade

O que mais dói não é – desengana-te – a infelicidade. A infelicidade dói. Magoa. Martiriza. É intensa; faz gritar, sofrer, saltar, chorar. Mas a infelicidade não é o que mais dói. A infelicidade é in...

Nunca Aprendi a Existir

Tenho as opiniões desmentidas, as crenças mais diversas - É que nunca penso nem falo nem ajo... Pensa, fala, age por mim sempre um sonho qualquer meu em que me encarno no momento. Vem a fala e falo-...
Inspirações

Amar e Ser Amado