59 Poemas

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Certeza (21)

Se é real a luz branca/ desta lâmpada, real/ a mão que escreve, são reais/ os olhos que olham o escrito?/ / Duma palavra à outra/ o que digo desvanece-se./ Sei que estou vivo/ entre dois parênteses./...

Morte em Vida (22)

Um dia mais passou e ao passar/ Que pensei ou li, que foi criado?/ Nada! Outro dia passou desperdiçado!/ Cada hora já morta ao despontar!/ / Nada fiz. O tempo me fugiu/ E à Beleza nem uma estátua erg...

Sonambulismo (23)

Tombam os dias inúteis:/ amanhece, é tarde, anoitece./ Mas a nós que nos importa/ ser manhã, meio dia ou noite?!.../ Sonâmbula a vida decorre/ - nas ruas, a paz larvar dos grandes cemitérios;/ dentro...

A Minha Hora (24)

Que horas são? O meu relógio está parado,/ Há quanto tempo!.../ Que pena o meu relógio estar parado/ E eu não poder marcar esta hora extraordinária!/ Hora em que o sonho ascende, lento, muito lento,/...

Lição Quotidiana (25)

Cada manhã ressuscito / Do sono, esse irmão da Morte,/ Que é minha estrela do norte,/ Meu professor de infinito./ / Hora por hora medito/ Sua lição clara e forte;/ Mas nem assim minha sorte/ Encaro m...

O Tempo Vive (26)

O tempo vive, quando os homens, nele,/ se esquecem de si mesmos,/ ficando, embora, a contemplar o estreme/ reduto de estar sendo./ O tempo vive a refrescar a sede/ dos animais e do vento,/ quando a e...

Em Plena Vida e Violência (27)

Em plena vida e violência/ De desejo e ambição,/ De repente uma sonolência/ Cai sobre a minha ausência./ Desce ao meu próprio coração./ / Será que a mente, já desperta/ Da noção falsa de viver,/ Vê q...

Para que quero a Glória Fugitiva? (28)

Já é tempo, já, que minha confiança/ Se desça duma falsa opinião;/ Mas Amor não se rege por razão,/ Não posso perder, logo, a esperança./ / A vida sim, que uma áspera mudança/ Não deixa viver tanto u...

O que é Viver? (29)

Viver é só sentir como a Morte caminha/ E como a Vida a quer e como a vida a chama.../ Viver, minha princesa pobrezinha,/ É esta morte triste de quem ama…/ / Viver é ter ainda uma quimera erguida/ Ou...

Eu não Quero Esquecer os Dias que Viveram (30)

Eu não quero esquecer os dias que viveram./ Por eles escrevi estes versos mofinos;/ escrevi-os à tarde ouvindo rir meninos,/ meninos loiro-sóis que bem cedo morreram./ / Eu não quero esquecer os dias...

Os Enganos do Viver (31)

REPETE A FRAGILIDADE DA VIDA E APONTA OS SEUS ENGANOS E OS SEUS INIMIGOS/ / Que outra verdade hav'rá senão pobreza/ nesta vida tão frágil, leviana?/ Os dois embustes são da vida humana,/ no berço...

A Vida Anterior (32)

Longos anos vivi sob um pórtico alto/ De gigantes pilares, nobres, dominadores,/ Que a luz, vinda do mar, esmaltava de cores,/ Tornando-o semelhante às grutas de basalto./ / Chegavam até mim os ecos ...

Tirem-me os Deuses o Amor, Glória e Riqueza (33)

Tirem-me os deuses/ Em seu arbítrio/ Superior e urdido às escondidas/ O Amor, glória e riqueza./ / Tirem, mas deixem-me,/ Deixem-me apenas/ A consciência lúcida e solene/ Das coisas e dos seres./ / P...

Despedida (34)

Amanhece/ e no espreguiçar dos olhos/ absorvo a tontura do novo dia./ / Ao sair do quarto/ atravesso o branco sujo da manhã/ e vou tomar café com muito açúcar./ / Levo um pastel de Tentúgal para a v...

A Nossa Vez (35)

É o frio que nos tolhe ao domingo/ no Inverno, quando mais rareia/ a esperança. São certas fixações/ da consciência, coisas que andam/ pela casa à procura de um lugar/ / e entram clandestinas no poem...

Quero Acabar (36)

Quero acabar entre rosas, porque as amei na infância. / Os crisântemos de depois, desfolhei-os a frio. / Falem pouco, devagar. / Que eu não oiça, sobretudo com o pensamento. / O que quis? Tenho as mã...

Ó que Imenso Dissipar (37)

Ó que imenso dissipar/ por assim gostar de tudo./ / Com o meu ser estendido,/ tenso ao apelo do mundo,/ pulsando seu movimento/ vou erguendo esta prisão./ / Os pés retidos, imóveis,/ pelos choques de...

Viver é Caminhar Breve Jornada (38)

DESPREOCUPAÇÃO DO VIVER DISTRAÍDO A QUEM A MORTE CHEGA INESPERADA/ / Viver é caminhar breve jornada,/ e morte viva é, Lico, a nossa vida,/ ontem p'ra o frágil corpo amanhecida,/ cada instante, no...

Testamento Aberto (39)

Só para ver curar minhas pernas partidas/ Nas dores eternas/ Dos saltos gorados,/ Eu amo a aparente inconsciência dos loucos,/ Embora fique aos poucos nos meus saltos/ Desabridos e falhados./ / Apraz...

Dia de Descanso (40)

Hoje reservo o dia inteiro para chorar/ É o domingo decadente em que muitos/ esperam pela morte de pé/ É o dia do sarro que vem à boca da mediocridade/ circular dos gestos que andam disfarçados...
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