Filinto Elísio

Portugal
23 Dez 1734 // 25 Fev 1819
Poeta/Tradutor

Tinha de Fachos Mil a Noite Ornado

1

Tinha de fachos mil a noite ornado
    A argentada Princesa:
    De amor, graça e beleza
O campo etéreo Vénus povoado.

2

A Terra, com perfume precioso
    Em torno recendia;
    E plácido dormia
Sobre a dourada areia o pego undoso;

3

Quando veio roubar a formosura
    De tudo o que é criado,
    Márcia, fiel traslado
Da beleza do Céu, sublime e pura;

4

Com Lírios, que estendeu, vestiu ufana
    A forma divinal;
    Em aceso coral
Tingiu, sorrindo, a boca soberana,

5

As madeixas tomou das veias de ouro,
    Nos olhos pôs safiras,
    Que das setas, que atiras,
São, fero Amor, o mais caudal tesouro.

6

Todos seus dons lhe pôs o Céu no peito;
    Como orna o Régio Sposo,
    C'o enfeite mais custoso,
A Princesa, a quem rende a alma, sujeito.

7

Eu vi afadigados os Amores,
    E as Graças, que cantavam
    Enquanto se moldavam
Seus graciosos gestos vencedores.

8

Das Sereias o canto deleitoso
    Lhe nasceu sem estudo;
    E o dom de enlevar tudo
Envolto veio em seu sorriso airoso.

Filinto Elísio, in "Sonetos"
// Consultar versos e eventuais rimas




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