Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco

Portugal
16 Mar 1825 // 1 Jun 1890
Escritor

20 Textos



Se Queres Ser Feliz Abdica da Inteligência (1)

Os tolos são felizes; eu se fosse casado eliminava os tolos da minha casa. Cada cidadão, que me fosse apresentado, não poderia sê-lo, sem exibir o diploma de sócio da academia real das ciências. Olha...
Mistérios de Lisboa

Viver sem Sofrimento (2)

Os prazeres ardentes são momentâneos, e custam graves inconvenientes. O que devemos cobiçar é viver sem sofrer muito. Aquele que sofre foge-lhe uma parte da existência. O mal é nocivo à plenitude da ...
Cenas Inocentes da Comédia Humana

A Seriedade é uma Doença (3)

A seriedade é uma doença, e o mais sério dos animais é o burro. Ninguém lhe tira, nem com afagos nem com a chibata aquele semblante cabido de mágoas recônditas que o ralam no seu peito. Há nele a lin...
Cancioneiro Alegre

A Decadência do Coração nos Tempos Modernos (4)

Nestes ruins tempos de material e nauseante industrialismo, a fase do coração é curta, o amor vem temporão, e como que apodrece antes de sazonado. De toda a parte, aos ouvidos do mancebo vem a soada ...
Doze Casamentos Felizes

O Amor Infinito (5)

Da mulher o que nos comove e enleva é a parte impoluta que ela tem do céu; é a magia que a fada exercita obedecendo a interno impulso, não sabido dela, não sabido de nós. Ali há mensagem de outras re...
O Santo da Montanha

O Homem Pensador e a Mulher Faladora (6)

O homem pensador é necessariamente taciturno. A mulher faladora não consegue atordoar-lhe o espírito, mas faz-lhe nos ouvidos a traquinada intolerável de uma matraca. A matraca afuguenta do coração t...
Um Homem de Brios

O Valor do que Se Ama (7)

O homem que ama apaixonadamente, não cura de saber o valor que os outros dão à mulher que ama. (...) Se o amor, por qualquer condescendência, declina, o amante, cego ontem, abre hoje um olho, e duvid...
Onde Está a Felicidade?

O Conhecimento de nada Serve no Amor (8)

O «conhece-te!» do filósofo antigo, é uma tolice. Quem é que se conhece? Quem pode responsabilizar-se pelos seus actos de amanhã? Não está definida a virtude nem o crime. Tu hoje levantas uma mulher ...
Onde Está a Felicidade?

O Segredo de Salvar-me Pelo Amor (9)

Quem há aí que possa o cálix
De meus lábios apartar?
Quem, nesta vida de penas,
Poderá mudar as cenas
Que ninguém pôde mudar ?

Quem possui na alma o s...

O Amor Como Graduação da Nossa Consciência (10)

Ninguém sente em si o peso do amor que se inspira e não comparte. Nas máximas aflições, nas derradeiras do coração e da vida, é grato sentir-se amado quem já não pode achar no amor diversão das penas...
Amor de Perdição

Talento não é Sabedoria (11)

Deixa-me dizer-te francamente o juízo que eu formo do homem transcendente em génio, em estro, em fogo, em originalidade, finalmente em tudo isso que se inveja, que se ama, e que se detesta, muitas ve...
Coisas que Só eu Sei

Paixão Única (12)

Quem me dera poder ver-te!
Ai! quem me dera dizer-te,
Que pude amar-te, e perder-te,
Mas olvidar-te... isso não!
Que no ardor de outros amores,
Através de mil ...

O Amor Indómito (13)

Há casos de alucinação, extasis incendiados de fantasia, em que o homem subjuga ao seu transporte as férreas considerações sociais, fazendo-as reflexivas de todo o brilho da sua alegria. É por isso q...
Anátema

Amor como Depravação do Nervo Óptico (14)

Entendem cordatos fisiologistas que o amor, em certos casos, é uma depravação do nervo óptico. A imagem objectiva, que fere o órgão visual no estado patológico, adquire atributos fictícios. A alma re...
Coração, Cabeça e Estômago

Este Amor Infinito e Imaculado (15)

Querida, o teu viver era um letargo,
Nenhuma aspiração te atormentava;
Afeita já do jugo ao duro cargo,
Teu peito nem sequer desafogava.
Fui eu que te apontei um mundo...

O Homem Foi Sempre Mau (16)

O homem foi sempre mau; será mau até ao fim. A sociedade parece melhor do que foi, olhada colectivamente: é parte nisto a lei, e, grande parte o cálculo. Cada indivíduo se constrange e enfreia no pac...
O Bem e o Mal

Como Nasce o Amor? (17)

Nem eu nem vós sabemos como nasce o amor. Em fisiologia, que é a ciência do homem físico, não se sabe. A psicologia também não diz nada a este respeito. Os romances, que são os mais amplos expositore...
A Neta do Arcediago

A Melancolia (18)

A melancolia é sorna e estéril. Camões escreveu a sua epopeia nos dias da esperança. Quando a tristeza desanimadora o entrou, já não pôde escrever para o fidalgo, que lha pedia, uma paráfrase dos sal...
Coração, Cabeça e Estômago

Viver com o Coração ou com a Razão (19)

Viver segundo a razão, alvitre que os filósofos pregoam, é bom de dizer-se e desejar-se, mas enquanto os filósofos não derem uma razão a cada homem, e essa razão igual à de todos os homens, o apostol...
Coração, Cabeça e Estômago

O Princípio do Amor Tem Oito Dias de Alienação Moral (20)

Nada de lógica nem de retórica. Os principiantes do amor cuidam que é da tarifa devorarem no silêncio, antes de se revelarem, as melhores frases que tinham para convencer. Grande contrasenso. Parecem...
Cenas da Foz


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